10 de dez de 2009

ali, aqui, acolá

Hoje, conversando com a T., coloquei meu cérebro pra funcionar depois que disse uma coisa sem pensar. Estávamos falando sobre assuntos que não precisam ser especificados, quando solto: 'Tem sim, mas está longe de você, sonhando contigo todas as noites. Só que você não é você, é um vulto preto, porque ele não (re)conhece a sua cara.'. Essa pseudo-teoria me fez parar pra pensar durante uns bons minutos.
Por mais que falei a primeira coisa que me veio em mente e nunca tinha parado pra pensar sobre isso, eu acredito no que disse. Acredito que, em algum lugar do mundo, exista alguém sonhando com a personalidade, jeito, gostos e características da T., por exemplo. A pessoa dos sonhos é real. Ela existe, em algum lugar do mundo. E a T., ao encontrar ela, pode não se deparar com o dream-boy que ela idealizou, certamente. Mas alguma coisa nele vai chamar a atenção dela - tirando o fato dela ser tudo o que um dia ele aspirou - e ele, consequentemente, vai se tornar quem ela quer - ao menos na percepção dela. E a mesma coisa acontecerá com o menino-dos-sonhos dela, quando ela se deparar com ele. Não existe apenas uma pessoa exata para T., pra mim ou pra você. Temos duas, três, quatro, mil, seilá. É incabível essa história de 'alma gêmea', 'metade da laranja', ou que for. Há pessoas que servem ou não servem pra você. E pode até ser que alguma delas já tenha passado pela sua vida, sem a sua percepção. Mas isso é assunto pra outro texto.

'Robin é melhor que a garota dos meus sonhos. Ela é real.' Paul, 500 Days of Summer.

(Dedicado, obviamente, á T. <3)

8 de dez de 2009

caio fernando abreu

Que te dizer? Que te amo, que te esperarei um dia numa rodoviária, num aeroporto, que te acredito, que consegues mexer dentro-dentro de mim? É tão pouco. Não te preocupa. O que acontece é sempre natural — se a gente tiver que se encontrar, aqui ou na China, a gente se encontra. Penso em você principalmente como a minha possibilidade de paz — a única que pintou até agora, “nesta minha vida de retinas fatigadas”. E te espero.

Harriet, Caio F A

sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo meu deus como você me doía vezenquando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando olhando e pensando meu deus ah meus como você me dói vezenquando

(possibilidade) quê

E aquele seria se transformou num tornaria que logo depois virou um distante e vago ia, ia, ia.

7 de dez de 2009

always been you

Eu quero tomar café da manhã com você no terraço, vendo o sol nascer após uma noite não dormida pela empolgação de assuntos improváveis fazendo diálogos durarem indeterminadamente, e crises de riso preencherem a escura e silenciosa noite. Eu quero chegar em casa e te ver jogado no sofá vendo TV e perguntando por que demorei, dizendo logo em seguida que achou aquele LP do Doobie Brothers que eu tava procurando - ele estava debaixo da minha cama, junto com as bitucas e roupas de baixo largadas lá na noite passada. Eu quero você me irritando só pra rir da minha cara e falar que eu fico engraçada quando irritada. Eu quero você me apertando, todo empolgado, porque conseguiu achar a agulha da sua vitrola, e que a gente ia ouvir David Bowie até entardecer. Eu quero você prendendo o meu braço e com intenção de me beijar pra acabar com a briga que já estava durando mais de duas horas. Eu quero você me acordando no meio da noite pra falar que me ama, e me abraçando contra o seu corpo. Eu quero que você ria quando eu morro o carro tentando dar partida, e depois saio cantando pneu sem querer. Eu quero você falando que eu tenho que parar de ser tão desorganizada, porque você não consegue achar as suas coisas no meio das minhas. Eu quero você olhando pra mim 'disfarçadamente' durante um filme pra ver se eu estou chorando, e rir quando eu digo, sem olhar pra você, que eu não vou chorar - e depois de cinco minutos te abraço forte por estar chorando com o enredo da história. Eu quero você reclamando quando eu espremo todos os seus cravos e espinhas das suas costas. Eu quero rir da sua cara quando você coloca a minha calça jeans que te fica super skinny e começa a fazer pose de sexy. Eu quero você me dando o melhor beijo do mundo quando a gente se vê depois de alguns meses.
E, acima de tudo, eu quero você. Não importa quando ou como. Não importa se vai ser agora ou daqui a alguns anos. Não importa nem se você desacredita no que eu digo. Eu quero você. Não é porque o tempo não anda ao nosso favor que não poderemos nos adaptar a ele e fazer tudo o que aspiramos virar real. E também pouco me importa quando isso vai acontecer. Porque eu sei que vai. E, até lá, continuará sendo você e mais ninguém.

tênue diferença.

Não se morre de amor. Se morre da falta dele. (04/12/09, 01:48 am)

3 de dez de 2009

it's alright to be alone

Pra quê deixar as músicas ao máximo que a qualidade delas podem suportar e que as caixas de som aguentam? Pra ver se elas conseguem embaralhar todos esses pensamentos e sentimentos ao ponto deu não pensar mais em nada. As vezes é bom mentir pra si mesmo.

2 de dez de 2009

Prévia

Queria apenas alguém pra conversar, dividir uma garrafa de vinho e um maço de cigarros, alguém que a ouvisse e dissesse o que queria ouvir, que visse nela tudo aquilo que realmente era e não conseguia demonstrar, que deitasse junto á ela num gramado e a ajudasse a (tentar) contar as estrelas.
Queria a liberdade de uma alma solta, aquela que vaga sem pretenção alguma, apenas concentrada no movimento do vento e no som das folhas das árvores.
Queria terminar tudo logo, sair de onde estava, ir pra onde se refugiava, esquecer do mundo e fazer que o mesmo se esquecesse dela.
Queria andar sozinha durante uma noite inteira no centro de uma cidade grande, sem portar nenhum objeto que pudesse fazer alguém entrar em contato com ela, apenas olhando as luzes, reparando nas pessoas, concentrada na música existente em cada lugar aonde passava, e ver se assim conseguia colocar seus pensamentos no lugar.
Queria ter o poder de apagar de sua memória as pessoas que conheceu - e fazer o mesmo com elas - para que pudesse ter uma primeira vez denovo, não estragando o processo desde o início, de uma relação que poderia ser tão importante quanto á que idealiza e sempre idealizou.
Queria tantas coisas, aspirava tantas situações, imaginava inúmeros acontecimentos, criava diálogos e personagens como num livro de ficção, pensava em como tudo poderia ser. E a única coisa que podia, no momento, era estar sentada em seu quarto com uma folha e caneta em mãos, ouvindo 'Dance Me To The End Of Love' tocar e sentindo a briza fria da madrugada tocar sua pele e a fazendo despertar.

30 de nov de 2009

eu sei

ela: e agora?
ele: e agora o quê?
ela: e agora?
ele: seilá

27 de nov de 2009

but I'll be ok if you come along with me

Such a long, long way to go. Where I'm going I don't know. I'm just following the road through a walk in the sun. Sitting and watching the world going by, is it true when we die we go up to the sky? So many things that I don't understand. (Walk in the Sun)

25 de nov de 2009

always love

Sabe, o que mais me dói é saber que depois de tantos anos essa dor continua. E assim com a insegurança, o medo da expressão, a necessidade de aprovação e esse sentimento-sem-nome que é difícil de se explicar, mas que me faz sentir inferior. Não, não é drama, odeio ser melodramática, e odeio muitas coisas que faço e deixo de fazer, ou que em pensamento faria certo mas a realidade é outra. E, sim, isso também é difícil de expressar. E essa é uma das coisas que eu mais odeio em mim: não conseguir expressar de forma completa e correta tudo o que sinto e da forma que sinto. Mas voltando ao assunto inicial, a partida dele mudou a forma como eu vejo o mundo, me porto, me relaciono e, mais ainda, a minha personalidade. Acho que nem uma pesquisa psiquatrica conseguiria definir a causa exata disso. Mas, Deus, como eu queria uma solução para voltar, voltar pra ser aquela menina que eu era antes e que hoje nem me lembro direito como era para conseguir reverter a situação. Só lembro que era feliz, dedicada, e.. e só. Só isso o que me vem em mente - e era exatamente isso o que venho precisando nesses ultimos anos, desde que ele se foi: felicidade e dedicação. Não, não é um drama, já disse, não quero comover ninguém. Só queria saber o que fazer e como fazer, sabe? Pode parecer estranho, mas quando eu escrevo eu consigo perceber qual o porquê do problema. E por mais que eu escreva, reescreva e torne a escrever novamente, isso continua sendo uma incógnita em minha vida, um ponto de interrogação imenso que vive comigo o tempo todo, por mais que ás vezes eu não o perceba. Eu não sei se eu vou conseguir passar por isso, nem quando, muito menos como. Mas tem coisas que a gente vai guardando, e guardando, e que por mais que não pareça verdade, são elas que corroem toda a alegria que possuímos. Sei lá. Não sei nem se um dia saberei.

23 de nov de 2009

Nunca de nuncarás

Hoje é só mais um dia de chuva e tu não queres saber se eu tenho alguma queixa. E cada dia que passa eu sei que é mais um dia perdido. Subo as escadas correndo, mandando os fantasmas embora. E o que tenho de nó na garganta é tudo aquilo que eu quero te dizer, e não digo. Talvez, por medo do que eu possa ouvir em respota. Talvez, por querer evitar um mal estar.
E me confundes toda novamente porque a mão que me dás é a mesma que me afastas. E assim, confusa, insisto em sua presença. E tu não deixas. Talvez, nem penses mais em mim, nos momentos felizes. Aliás, sei que não pensas, deves apenas me querer por perto para...ah, para nada. Como eu posso saber? Tu não dizes claramente. E, honestamente, não sei se quero saber.
Eu tento seguir em frente, procurar outro amor. Mas como procurar um novo amor se este amor ainda está tão presente? Eu nunca pensei que pudesse amar alguém tão diferente de mim, que gostasse de filmes de terror na mesma intensidade que eu odeio, que fizesse piada de tudo. E penso em como tu elogiavas qualquer uma nas festas e só me elogiavas quando eu implorava por atenção. De como comias em silêncio, já pensavas em partir?
Penso em Drummond. "O amor, cara colega, esse não consola nunca de núncaras". E ainda assim te quero de volta. Podes não querer, eu sei. Deves não querer. E não sabes como isso me dói. Me dói ver que teu amor é narcizico, e o meu é só amor.

daqui

20 de nov de 2009

Talvez

É estranho só ter inspiração pra escrever com o seu computador, por mais que ele seja igual a todos os outros?
Mil razões pra escrever, um sobrecarregamento imenso, e nada sai quando estou sem ele. Pelo jeito só vou voltar ao normal com o blog quando ele chegar, na terça. Que eu aguente até lá, então.
Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar.

Caio F A

16 de nov de 2009

Hoje não há luzes.

Dia desses dei uma relida no conto 'Para um Avenca Partindo', de Caio Fernando, e ao me deparar com um trecho em especial, veio-me em mente ume preocupação até então despercebida. Até que ponto conseguimos diferir nossa idealização da realidade? Até que ponto isso pode interferir no desenrolar de cada situação? Até que ponto essa cegueira induzida pelo nosso inconsciente pode nos afetar e, finalmente, até que ponto conseguiremos aguentar cada decepção por essa grande vontade - e ilusão - que temos de encontrar facilmente tudo o que aspiramos? Todas essas perguntas têm respostas que eu particularmente desconheço, mas que tiram-me o sono tentando encontrá-las.

15 de nov de 2009

Diálogo.

a - a noite parece que os pensamentos fluem, os sentimentos florescem
     e essa escuridão não deixa a solidão ruim, mas confortante
p - discordo
     mas ok
a - argumente
p - é à noite que a solidão se mostra mais cruel e sufocante
     a noite não foi feita pra se aproveitar sozinho
a - concordo e discordo
     tudo depende do estado de espírito
     as vezes é bom aproveitar a noite com pessoas fazendo sabe-deus-o-quê
     as vezes é bom fica em casa sozinho, sentindo a brisa na cara e pensando na vida
     e quando a segunda opção é tomada, sente-se o conforto
     parece que a noite em si me entende
     é difícil explicar
p - sei como é
     mas
     hoje, definitivamente, não escolho essa opção
a - comigo não vêm sendo uma situação de escolha, mas de adaptação com o meio
     se não pode derrotá-los, junte-se a eles
p - ah
     sei lá.

7 de nov de 2009

just listen to the rhythm of a gentle bossa nova

Essa música da Petula Clark tá sendo, literalmente, a trilha sonora dos meus dias, ultimamente.

3 de out de 2009

Oi, pai.

Oi, pai. Eu sei que faz tempo que eu não escrevo pra você, mas não é por falta de vontade. Tenho andado muito confusa, e a organização de pensamentos falha nessa hora. Você sabe que sempre que lhe escrevo é por um motivo especial, e agora não é diferente.
A cada dia mais se aproxima aquela mudança que você mesmo fazia cara feia quando mencionada - se bem que naquela época, não passava de uma mera vontade, e passava longe de ser considerada uma opção. Pois bem. Desde quando as coisas se tornaram diferentes, se é que me entende - e sei que o faz -, muitas coisas realmente mudaram. Como eu mencionei na última vez que lhe escrevi, eu vim embora. Não foi uma mudança boa. Bom, em certos aspectos sim, mas generalizando, certamente que não. Muita coisa mudou desde quando você se foi, como já disse, e tenha absoluta certeza disso - e de que não foram mudanças melhores, tenha mais certeza ainda.
Voltando ao assunto central do que venho querendo lhe dizer - você sabe o quanto eu mudo a direção do tema quando á tempos não lhe escrevo-, vou ser bem direta agora. Eu vou embora denovo. Mas agora é definitivo. Pouco importará se vai ser ruim ou não. Vou pra ficar, sem escolha de volta. E quanto mais o dia de ir se aproxima, quanto mais eu chego perto do sonho que sempre tive, mais eu fico com medo. Essa mudança que sempre foi querida, estudada, pensada e repensada agora é definitiva. E me sinto encurralada, não sei porque diabos, quando vejo que ela está mais próxima do que nunca. Sabe, pai, eu nunca entendi por que quando as mudanças se aproximam eu tenho vontade de fugir, de renegá-las, de voltar, retroceder. É medo e covardia, eu sei. Mas não entendo como é que uma coisa que sempre esteve em minha mente, agora que é realmente possível e alcancável, me faz ficar confusa e não saber o que fazer.
Somos só nós duas, você sabe disso, e o que é que vamos fazer sozinhas num mundo desse tamanho sem sequer termos um lugar que nos sentimos em casa, como tinhamos antigamente?
Vou parar com os pontos-de-interrogação por aqui, porque seriam necessários muitos cadernos pra que eu pudesse lhe perguntar tudo o que quero e preciso. A sua ajuda me faz muita falta. Você me faz muita falta. Grande parte de toda a confusão que me toma conta é explicada pela sua ausência. Mas isso seria assunto pra outra hora.
Bom, sei que será difícil sua ajuda repentina com relação á esse assunto, mas só de poder expô-lo pra você já me sinto com parte da confusão desenrolada.
Sinto muito sua falta, como já disse e nunca cansarei de dizer, e venho precisando de você e de seus conselhos mais do que nunca.
Espero que consiga me ajudar, independentemente da maneira que for.

Continuo te amando da maneira de sempre, e assim vai ser.
Um grande beijo,
A.B.

30 de set de 2009

Essência restrita.

E fumava, como se todo aquele ardor de estar vivo pudesse ser expelido com a fumaça que saia de seus pulmões. Aquela agunia inexplicável que se acumulava desde quando se conhecia por pessoa, o rancor, a raiva, a nostalgia, tudo, tudo, que na verdade era um grande e vazio nada.

12 de set de 2009

fly, brother, fly

Pequenos acontecimentos, inúmeros atos normais do cotidiano, uma ida-e-volta de carro, uma discussão sobre o que comer, decidir ficar em casa vendo um filme á sair, brigas banais, interrogatórios desnecessários, desconfianças, confiança até demais, ódio, amor, admiração, carinho, irritação, tudo misturado, tudo junto. Formando em mim essa angústia inexplicável, que traz a tona momentos que não voltarão tão cedo. Essa presença que existia, demorará pra voltar a ser como era. Essa presença, por mais remota que seja, é o que me fortalece. E faz quase um ano que não a tenho. Sinto-me despedaçando, cada vez mais. Essa falta, que dói, que arde, que encomoda, que tira o sono, que tira a fome, que muda o humor, que transtorna cada minúsculo detalhe físico e psicológico do corpo e cotidiano. A saudade, dentre os sentimentos que ja tive, é o que mais dói. O que mais desgasta. O que mais precisa de uma estrutura mental num nível superior para nos adequar ás situações que fogem do nosso controle, e pra nos adequar á ausencia das pessoas que não podem, por qualquer motivo, estarem presentes. O tempo deveria ter play, pause, avançar e principalmente o retroceder. Ás vezes somos felizes e nem nos damos conta disso. Ás vezes estragamos esse intervalo de tempo aonde a felicidade é percebida só depois, querendo voltar pra mudar. Se cada um escreve a sua história, isso deveria ser levado ao pé da letra. E tenho dito.

29 de ago de 2009

Com Qualquer Dois Mil Réis


Você é incapaz de matar uma muriçoca
Mas como tem capacidade de mexer meu coração

12 de ago de 2009

Errei pela primeira vez quando me pediu a palavra amor, e eu neguei. Mentindo e blefando no jogo de não conceder poderes excessivos, quando o único jogo acertado seria não jogar: neguei e errei. Todo atento para não errar, errava cada vez mais.

em Pequenas Epifanias
de CAIO FERNANDO ABREU

9 de ago de 2009

Banalidades cotidianas

Os pequenos absurdos, a capacidade de rir a toa, um ridículo desejo de ser útil e essa mania de comprometer-se sem necessidade. Vinicius de Moraes

1 de ago de 2009

Gertrudes pede um conselho.

'De fato, nos últimos tempos, Tuda não passava nada bem. Ora sentia uma inquietação sem nome, ora uma calma exagerada e repentina. Tinha freqüentemente vontade de chorar, e o que em geral se reduzia à vontade apenas, como se a crise se completasse no desejo. Uns dias, cheia de tédio, enervada e triste. Outros, lânguida como uma gata, embriagando-se com os menores acontecimentos. Uma folha caindo, um grito de criança, e pensava: mais um momento e não suportarei tanta felicidade. E realmente não a suportava, embora não soubesse propriamente em que consistia a felicidade. Caía num choro abafado, aliviando-se, com a impressão confusa de que se entregava, a não sei quem e não sei de que forma.' Clarice Lispector

rascunho salvo no dia 24/11/08 (com algumas modificações)

- ... mas essa música que estourou a banda mesmo, é muuito boa.
I. e G. novamente andando na rua. Não que fosse uma coisa que ambas gostassem de fazer, mas não tinha outra opção. Acabaram de ir na padaria mais próxima pra comprar-qualquer-coisa pra comer, já que na casa de S. não eram muitas as opções.
- Verdade. - Concordou G., acompanhando I. quando começou a cantar 'Misery Business'.
Estavam passando em frente de lugar que pintava carros - ou algo parecido - quando iriam começar o refrão.
- OOOHH.. cof cof cof cof cof - as duas começaram a tussir quando o possível líquido que o cara do lugar-que-pintava-carros estava espirrando em um automóvel.
Depois do ataque de tosse seguido do ataque de riso, e de vários olhares curiosos e com um riso reprimido, vindos do próprio lugar-que-pintava-carros, as duas faziam seu caminho de volta calmamente, com alguns risos ainda, e falando qualquer coisa engraçada ou divertida. Mal sabia G., além de todas (incluindo I., S., e C.), que estava exatamente no lugar aonde devia estar, naquele e em vários outros momentos aonde estava na companhia de alguma delas. Mal sabia ela que, apesar de tudo, iria querer repetir tudo exatamente do jeito que aconteceu. Mal sabia ela, que tanto reclamava, que estava sendo completamente feliz - e sequer fazia ciência disso.

31 de jul de 2009

Retração

Se somente esse sentimento de solidão vigorasse, como me sinto pouco iria importar. Mas o que mais corrói são os motivos da solidão. E toda as vezes que me sinto solitária, todos esses fatos que eu não faço questão nenhuma de mencionar ou sequer lembrar, sentam-se comigo para apreciarem essa penúria que se amontoa aos poucos, chegando a me sufocar. Gostaria de, ao menos, saber como me sinto, ao certo, para tentar reverter a situação, mas meus sentimentos nunca foram muito claros, e essa confusão vai gradativamente tomando conta cada vez mais de cada parte minha ou com relação a mim. O único desejo que tenho, se me permito dizer, é continuar sozinha. Entretanto, num lugar distante, calmo e sem algum procedente de conhecidos. Apenas a solidão, meu martírio, uma boa chícara de cafés, folhas e uma caneta. Nada mais.

No mesmo barco.

Quando eu souber reprimir o ciclo menstrual e os sentimentos, ah, aí sim vou ser completamente ilesa a qualquer tipo de infelicidade.

30 de jul de 2009

Open your eyes

Já não consigo distinguir sonho e realidade. Tenho alguns relapsos aonde, apesar de saber que estou vivendo certo fato, parece que estou nada mais que sonhando - e isso tanto nos momentos bons quanto nos ruins. Agora, por exemplo, me encontro sentada na minha cama, com o computador numa mesinha á minha frente, escrevendo sobre essa dificuldade de separar duas coisas tão distintas e tão parecidas. Mas me sinto como se estivesse sonhando, como se só meu corpo estivesse aqui, e meu pensamento, apesar de manter contato com o corpo, está em uma outra dimensão. Me sinto personagem de minha própria vida, pra ser mais direta. Parece que estou me observando em tudo o que faço. E parece que essa não é minha vida, exatamente porque não consegue ser nada comparada á vida que eu preferiria levar. Eu sei, soa confuso, e não pense você que pra mim também não seja. É difícil explicar como e porquê me sinto desse jeito. Todos os meus erros parecem sempre vir de frente com meu corpo, numa velocidade indescritível, me fazendo sentir como se navalhas estivessem passado por cada centímetro de minha pele. Exatamente esses erros que me fazem sentir assim, acho - ou sei, não sei -, porque se eu não tivesse os cometidos, não estaria aqui levando essa vida-de-ninguém, que é de qualquer um - menos a minha. Nem me sentindo como me sinto, inferior a tudo e a todos, desmerecedora de qualquer carinho, afeto, palavra ou gesto que me façam sentir bem. Não, claro que não, longe de mim gostar de ficar desse jeito. Mas não me sinto confortável se alguém me ajudar, porque eu, apesar de tudo, mereço estar assim, foi culpa minha, certo? Não, não sei, tô me confundindo mais ainda, seilá. Será? Não sei, não sequer entendo - nem tento. Só sei que conto os dias, as horas e os minutos pra esse ano acabar, consequentemente levando minha amargura junto. Queria voltar a viver, propriamente dizendo, e não passar meus dias trancada num quarto na frente de um computador, esquecendo - e não tendo a mínima vontade - de comer, sair, levantar, tomar um banho, tudo. Estou me perdendo cada vez mais nessa confusão, e não sei como será me recuperar após tudo isso. Se é que irei.

Parar e me acalmar.

Eu tô tentando escrever alguma coisa que esvazie minha cabeça, que tire esse peso das minhas costas, e não estou obtendo sucesso algum. Não sei, qualquer coisa, tudo, nada, rabiscos, frases sem-sentido, coisas que ninguém além de mim entenderão, apenas alguma brecha que se abra entre meu pensamento atordoante e meus dedos, para que eu transcreva-o de qualquer forma, apenas para pelo menos me convencer que consegui.
Mas é sempre assim. Sempre quando essa pressão me comanda, sempre quando eu realmente preciso que meus dedos sigam meus pensamentos e joguem-os para a tela de um computador (ou transcreva-os para um pedaço de papel qualquer, qualquer coisa que possa ser lida), eles não fazem a mínima menção de corresponder o meu desejo.
Sempre quando eu não tenho a menor idéia do que fazer, me sinto mais perdida do que nunca - e esse nunca expande os seus limites cada vez mais -, sem saída, sem escapatória, imóvel, a única saída que vejo é escrever. De qualquer forma, mesmo que quando for reler eu não me lembre sobre o que eu estava me referindo. E é exatamente por isso que sai de um jeito que eu não consigo sequer recordar sobre o quê estava falando e sentindo, exatamente porque eu não consigo me expressar.
É irônico saber que o único modo que eu tenho de me expressar e de me acalmar, pode-se dizer, falha quando eu mais preciso.

Fato número um.

Ninguém melhor do que você pra saber sobre os meus defeitos, e ninguém melhor do que eu pra pagá-los por existirem.

28 de jul de 2009

Sala de espera

it's hard to get up when you're spinnin' round and round
i'd give you the news but nothin's changed
i'd sing you a song but they blew it away
all wrapped up in this stupid ass game
(kings of leon, california waiting)

Música de fundo, você folheando algumas revista e fingindo não estar entediada. Mentalmente pensando quanto tempo irá demorar, precisa ser atendida logo, pra fazer as milhares de coisas que havia planejado. Pessoa por pessoa é atendida, e você continua lá. Esperando, esperando. Se distraindo com as coisas mais estúpidas e fingindo não estar ligando, porque sabe que daqui a pouco estará sendo atendida. Ou finge pra você mesma que sabe.
Uma definição básica e completa de como minha vida se encontra.

27 de jul de 2009

se refez, se perdeu, se conquistou

Lembrando que em uma de suas idas pra lá ele estava usando esse mesmo casaco, não sabia se se sentia contente ou abatida. Não sabia se ficava feliz, por lembrar dele vindo á sua direção com aquele sorriso de canto e apressando o passo para poder abraçá-la logo, ou por apenas ter isso como lembrança. Também não sabia que sentimento ter por pensar que, sim, estava vestindo esse mesmo casaco - e desde quando o pegou não o tirava de perto dela, usava-o como uma segunda pele, sentindo que com ele o sentia por perto -, e o cheiro dele parecia persistir em não deixá-lo - em não deixá-la -, mas casaco não tomava o lugar do dono dele. Apesar de sentir-se feliz em recordar todas as lembranças que um simples casaco pego de propósito a trazia, logo vinha aquele vazio que ela tanto ignorava desde quando deixou aquela cidade. Aos prantos. Desesperada pelo vidro da janela do ônibus, ainda mais depois de ver sua silhueta indo até o carro aonde minutos atrás os dois haviam descido para esperar a chegada da ida. Vendo-o andar lento, até o carro. Vendo-o desligar o alarme. Vendo-o dar a partida. E não vendo mais nada, o ônibus já seguindo sua rota, abandonando seu ponto de refúgio. Se sentia tão vazia que esse vazio que sentira dispensa explicações. E quando lembra de tudo isso, sente o mesmo vazio. A mesma dor. Por mais que saia, só sai pra tentar se distrair. Por mais que ri, é um riso falso, sem sentido - e isso é percebido no momento em que olham em seus olhos. Por mais que finja que está tudo bem - pros outros e até pra ela mesma -, sabe que tudo se encontra bem longe de estar bem. Tudo encontra-se frio e escuro. E ela se sente mais perdida do que nunca. Sabe o que fazer, e como fazer, pra contornar a história, mas sabe também que não é nada fácil. Sabe a dor que está se disponibilizando a sentir, e sabe também que ela vale a pena. Por mais que doa, que arda, que ela sinta como se o corpo dela esteje sendo rasgado, corroído, multilado, ela é forte pra suportar. As vezes desaba, claro, ninguém é forte o bastante pra isso - e nem precisa ser. E sabe que um dia tudo isso vai valer a pena. Porque sabe que o que está sentindo é diferente de tudo o que já sentiu. Sabe que não pode ser em vão. Sabe que não é em vão. Sabe também que, por mais que o casaco a lembre de que não está perto de quem precisa, ele é seu refúgio. É nele que ela se esconde quando sabe que não está nada bem. São nas lembranças que ele a traz que ela se encontra dando um sorriso sincero, de quem sente o tipo mais bonito de saudade. Como se fosse um escudo que a protege contra essa rotina que ela leva, contra essa necessidade que ela tem dele por perto, contra tudo. Seu refúgio. E que a leva diretamente a pessoa que ela mais necessita, a causa da imensa felicidade que sente no curto intervalo de tempo que tem do lado dele. A causa dela ainda estar aguentando tudo isso, e a sua única certeza. A certeza de que vai dar certo. Não importa quando, nem onde, nem como, nem porquê. Mas lá no fundo ela sente que vai dar certo. E isso mais do que a deixa capaz - isso faz sentir-se capaz.

26 de jul de 2009

olhos abertos

Sorriu sozinha imaginando os sonhos que poderiam vir a se realizar no próximo ano. Mirabolando idéias para fazerem se tornarem real, pensou no que poderia ser dito e feito para concretizá-los da forma mais precisa. Pensou em como tudo estaria no lugar se eles já tivessem tornado realidade, e em como esse vazio que sente no peito estaria preenchido. E seu coração, ah, seu coração. Como ele estaria saudável e alegre, sem esse aperto, sem parecer estar sendo esmagado a cada suspiro de cansaço, sem essa dor inexplicável que persiste dia após dia, sempre aumentando sua intensidade. De olhos abertos, parecia ver seu pensamento passando diante de seus olhos. Cada mínimo detalhe sendo absolutamente real em sua imaginação. Seu desejo prevalecendo sobre qualquer coisa. A necessidade que tinha (e ainda tem) de fazer seu desejo tornar-se real e poder finalmente viver nele tomava conta da menina, a fazendo ter descargas de endorfina percorrendo todo o seu sistema nervoso. Queria que tudo se concretizasse logo. Queria sair dessa vida repleta de ilusões e sonhos quebrados. Queria, acima de tudo, se encontrar. E sabia aonde se encontraria. Sabia em quem se encontraria.

25 de jul de 2009

eu e as listas

Eu não consigo entender o porquê dessa minha necessidade de fazer listas de tudo. Seja sobre o que eu tenho que comprar, o que eu quero comprar, livros que quero ler, livros que já li. Até pra passar músicas pro mp3 eu tenho que fazer uma lista. Lista do que fazer, do que estudar, de lugares para ir, enfim. Não consigo deixar nada passar sem que eu tenha um papel e uma caneta por perto para eu escrever o que precisa ser feito. Devo ter TOC. Distúrbio obcessivo-compulsivo. Vai entender.

24 de jul de 2009

here we go again

Inferioridade, s.f. Qualidade de inferior, subordinação. in.fe.ri.o.ri.da.de
Inferior,
adj. Subalterno; menos bom; de pouco valor; que está mais baixo que outro; que é subordinado a. in.fe.ri.or

Esse maldito sentimento aumentando cada vez mais dentro de mim.

Sempre as horas

anna diz:
depression
amanda diz:
né gente
w diz:
é

Eu consigo até imaginar.
Eu sentada, acabo de acender um cigarro, o cd do Bob Dylan rodando, lendo textos de Caio Fernando (sempre ele), e escrevendo qualquer coisa na minha agenda. Tô sozinha, e me sinto sozinha. Pensando no que comer, se vale a pena levantar e ir até a cozinha. Se o Fábio vai chegar e reclamar que estou fumando dentro de casa e se eu vou ter que procurar o Bom Ar daqui a pouco. E se eu vou ter que sair comprar mais um maço, porque esse já tá acabando e a angústia e ansiedade estão me desintegrando por dentro.
Amanda sentada também, provavelmente (leia-se: absolutamente) fazendo sets no Polyvore, prova de seu vício/encanto/amor por moda, ouvindo algo como Johnny Cash, ou algum rock dos anos 70 ou que lembre isso. Pensando quantos cigarros ela poderá fumar até seus pais voltarem, e pensando se é válido levantar e ir até a janela (ou sentar no chão da cozinha, como nós fazemos) e acender um cigarro. E, já que a conheço bem, deve estar reclamando mentalmente sobre quando que isso vai acabar e as coisas realmente irão acontecer.
Tamyres também sentada, tentando escrever alguma coisa que expresse o que ela está sentindo (ou sentiu), pra confundir a dor, nem que seja por um momento. E lendo Caio, provavelmente. Caio sempre presente nas nossas vidas. Ouvindo um pop-rock, um rock, ou qualquer coisa dramática ou nostálgica, que a lembrem o que ainda não aconteceu, e que a faça imaginar o futuro como uma peça de quebra-cabeças indefinida, sem saber a concavidade certa de cada aresta, e aonde que vai se encaixar. Não-fumante. Não sei como ela consegue tentar fugir de tudo isso sem um cigarro nas mãos, mas querendo ou não, o pulmão dela terá mais tempo de vida do que o meu e o de Amanda.
As três entediadas numa sexta-feira a noite, se perguntando se o futuro vai ser melhor ou se tudo será apenas mais uns sonhos quebrados e mal-realizados. As três pensando em quando tudo isso irá melhorar, e de que forma irá melhorar. As três mal aguentando a espera de chegar em São Paulo logo, se verem logo, reclamarem logo, rirem logo, sairem logo, sonharem logo, amenizarem essa dor que cada uma sente no peito, cada uma com sua forma diferente, mas que têm uma relação. Sempre as três, sempre fazendo qualquer coisa diferente e sem nenhuma relação visível, mas completamente sintonizadas. Sempre sonhando e esperando dias melhores. Uma espera sem fim até o esperado primeiro-dia-do-resto-de-nossas-vidas.

Because something is happening here
But you don’t know what it is.
(Bob Dylan, Ballad of a Thin Man)
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retirado do tumblr

Reciprocidade não mencionada

Essa dor. Que sufoca, que mata, que corrói, que destrói, que machuca, que arde, que dói, dói, dói, e parece nunca ter fim. Esse sentimento de culpa-sem-culpa, me confundindo mais ainda, me deixando menos ainda sem saber o que fazer. Essa angústia me sufocando, me deixando sem saber até como é que se respira. Eu não sei mais o que fazer, nem como me portar diante de nada. Eu não sei nem o que eu sinto mais. Ou não quero saber. Queria que tudo passasse logo, que esse estágio de dor sumisse definitivamente. Tanto sacrifício, tanto esforço. Recebo o seu amor de volta, mas.. por mais que a gente queira e já tenha comentado sobre isso, ninguém vive de amor. Eu preciso de presença. Eu preciso de segurança. Eu preciso me sentir confortável aonde quer que eu esteja. Eu preciso de você. Mas eu preciso de você com todas as letras, de todas as maneiras, de qualquer jeito, de todos os jeitos. Eu preciso de você. Perto. Junto. Tudo. Eu te amo, e eu tenho medo. Medo de que isso não funcione nunca, e você me entende. Não aceita, mas entende. Lá no fundo, você entende. E sente o mesmo.

Fast Make-Up

Toda mulher que exista e que se preze já teve que sair de casa correndo sem tempo nem de passar um pó no rosto. Esse vídeo foi um achado que eu tive fuçando nuns blogs da vida (aportadarua). Nada melhor do que fazer uma maquiagem simples e que fique bem e natural num intervalo de tempo equivalente a cinco minutos. Enjoy it!

PS: a Victória Ceridono, repórter-modelo do vídeo, tem um rosto que me deu inveja.

Instruções

Rio que corre para o mar
lava minh'alma
sem me arrastar

margem que me mantém no lugar
segure-me
por favor, sem sufocar

lodo que cobre meu interior
acomode-se
de forma que eu não sinta dor.

Sabrina Davanzo

pura utopia. sonhos, vontades, loucuras, música, livros, autores, café, paranóicas, ataques e uma tpm crônica.
nenhuma ímpar de sua espécie, especial ou algo do tipo. uma (a)normal querendo encontrar o seu lugar no mundo e, por mais que não possa parecer, corre atrás do que quer dos jeitos mais imporováveis, mas que acredita que sejam úteis.
felicidade e ansiedade me fazem a melhor e mais animada pessoa pra se ter do lado. trizteza e angústia me calam de um jeito indescritível. os sonhos me compõem da maneira mais bonita, e a realidade me faz imatura (por recusa própria de enxergar o que não quero acreditar), irritante e impaciente.
metade do que preciso colocar pra fora, não sai. vezenquando, indiretamente e de uma maneira confusa - e que só eu entendo -, consigo expressar o que me corrói. mas no auge da minha precisão não sai nada além de um mero suspiro.
composta também por vários tipos de bloqueios – estruturais, emocionais, de interação, de escrita e por aí vai -, que, por deus, me atrapalham mais que muita coisa.

sou completamente diferente de qualquer pessoa, e simultaneamente igual a todas. a vida é um ponto de interrogação, e a maioria das coisas em que acredito não passam de incógnitas. quem sabe na minha mente são desvendadas, mas isso seria mais uma das milhares coisas que eu nunca saberei explicar ou expressar.

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tinha essa descrição lá no wordpress e eu não queria apagá-la e deixá-la sequer memorável. e, sim, tenho mania de salvar e deixar guardado tudo o que escrevo, seja uma citação inteligente ou uma piada.

take my hand, take my whole life too

Não há nada mais gratificante do que o silêncio a dois, quando os dois estão bem juntinhos e nem sentem necessidade de botar no toca-disco um solo da flauta, daqueles suavíssimos. (Carlos Drummond de Andrade, História de amor em cartas)
e dar um abraço, só um abraço, daqueles bem fortes que não pedem palavras, que sozinhos já expressam a tamanha vontade que eu tenho de ter você por perto, que essa distância é o que mais me dói, que muito além de querer, eu preciso de você perto de mim, que toda a vez que eu tenho que ir parece que uma parte do meu coração tá se desfazendo, que eu já cansei de chorar – e sinto uma tremenda vergonha de sequer admitir – implorando por você, pelo seu cheiro, pelo teu cabelo-estilo-beatles o qual você vive implicando – e eu acho uma graça -, pelo teu olho, que me ganha só de me encarar por dois segundos, pela tua boca, pela tua mão, tudo, tudo, cada partezinha de você que me completa de um jeito que eu não sei explicar.
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daqui: http://introspeccao.wordpress.com

as coisas mais bonitas que escrevo sempre saem as mais românticas (e vice-e-versa).
(8 de julho)

sempre a noite. só saem quando não há luz que os ceguem, quando não há barreiras ou limites, quando não há absolutamente nada que possa impedi-los de realmente tomar conta da nossa mente e dominar o resto de sanidade que ainda resta. esse medo parece mais do que nunca acariciar de leve a nuca, sussurando no ouvido aquilo o que até você mesmo se recusa a ouvir, acreditar e admitir. cada angustia parece se tornar mil vezes mais forte, cada insegurança parece contornar todos os lugares visiveis, inclusive até aonde a visão periférica alcança. cada incerteza aterrorizando qualquer esboço de pensamento positivo.
a noite parece que tudo fica mais claro. as fraquezas, principalmente. se bem que, nem dez amanheceres seguidos iriam conseguir amenizar os destroços que esses medos e incertezas e angustias causam.
todo o ardor que esse sofrimento causa não tem cura. nem projeto de cura. nem nada. como curar um sentimento que brota dentro de alguém, sem que ele mesmo saiba como ou porquê? não há como explicar, conscientizar, amenizar, acabar. nada.
só aprender um jeito como esquecer. e esse jeito não é encontrado, necessariamente, dentro de você ou dentro de outra pessoa. existem tantas formas de esquecer. é uma pena que a maioria seja ilegal.
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daqui: http://introspeccao.wordpress.com

O mais bonito que alguém já se atreveu a dizer sobre mim

(4 de julho)

“Então, eu adorei o seu texto sabe.. Achei lindo mesmo, você tem um jeito único e interessante de escrever, escreve muito bem e eu já disse isso pra você inúmeras vezes. Eu também vim aqui, as 22:27 da noite, pra dizer para você que não está sozinha, que jamais estará.. E sabe por quê Anna? Porque eu estou aqui, é.. Eu mesmo, esse seu amigo burro, inseguro, perdido, bobo, chato, gordo, idiota, feio e mais um monte de coisas. Eu Anna, eu estarei aqui. As vezes eu sinto que a sua dor é minha, as vezes e a maioria das vezes eu gostaria de pegar você no colo, te moldar do jeito que eu acho que você deveria ser e fazer uma vida linda pra ti, uma vida cheia de luz, paz, Deus, amor. Anna, nós já somos muito crescidos sabe, nós tivemos que amadurecer cedo, perdemos a nossa inocência cedo, a nossa criançisse, e nos deixamos ser abraçados por todo esse “amadurecimento” que é ser adulto, nós pensamos coisas que não deveriamos pensar, e muitas vezes fazemos coisas que não deveriamos fazer. É assim, a vida não fácil pra você.. E nem pra mim. Somos os diferentes, querendo ou não, por qualquer motivo que seja, somos sim.. Os Diferentes e ponto. E é por isso que eu te amo, e é por isso que eu quero você comigo, e é por isso que o meu carinho por você é enorme, e é por isso que você é tudo isso que é pra mim, e é por isso que você brilha quando sorri.. Dentro do seu corpo, da sua alma, do seu coração, da sua cabeça.. Você tráz tudo, tudo o que já viveu, tudo o que já passou. As vezes eu fico mal, porque eu juro que eu queria te tirar disso tudo, dessa tristeza que você trás, porque essa tristeza não é sua, não é da Anna, você não é isso. A sua vida não é fácil, e poderia ser pior, e você.. Poxa, você é forte demais, sabe todos nós caimos, eu caio, você cai.. Mas sabe o que me chama antenção em você, é que sempre você levanta. Ah Anna, eu me sinto tão perdido, tão confuso, tão cansado sabe.. Eu vou jogar tudo pro alto, eu vou respirar, eu vou viver, eu vou ser eu e eu. E eu quero.. Eu quero que você seja feliz, feliz acima de tudo. Você merece, sabe.. Você merece tudo que sonha, e eu não quero Anna que você se sinta sozina, e eu não quero Anna que você fique rotiada de pessoas ruins, ruins de espiritos, ruins de carater, ruins de atitudes e corações, eu não quero isso pra você.. Eu quero que você esteja sempre com pessoas lindas, pessoas que mante paz no seu coração, que acalme ele quando você precisar, que olho nos seus olhos e diga que tudo vai passar, porque é a pura verdade, tudo vai passar Anna, e ai eu vou me lembrar de você e vou chorar igual estou chorando agora, porque eu acho que faço pouco por você, porque eu queria te ajudar mais, porque você está passando pela minha vida e eu não quero que vá embora, não quero. É tão difícil ter que ir pra mim, meu coração vai ficar por tempos aqui, e eu acho que não vou suportar a dor de perder você, de perder você sabe quem, de perder minha mãe e todos que eu amo.. Mas eu olho pra Anna e vejo que ela tá conseguindo, e vejo que ela é capaz, e vejo que ela tá superando, e vejo que ela tá vencendo.. E eu falo pra mim mesmo, eu tenho que ser forte, eu tenho que conseguir, eu não posso chorar, eu não posso chorar, não posso sofrer. Eu não sei sabe, é tão complicado pra mim tudo isso, e eu juro por Deus que as vezes só quando eu olho pra você, você me entende, e as vezes quando você olha pra mim, eu te entendo. Cara, eu tô chorando loucamente aqui, não consigo parar de chorar e eu só quero dizer Anna que eu te amo demais, e que você é linda por dentro e por fora e que você vai brilhar e que você vai ser feliz, e que você vai ter tudo, tudo de bom, e que você vai ser abençoada, por mim e por Deus. Jamais se esqueça, Deus nos dá aquilo que aguentamos, então se estamos passando por isso é que aguentamos passar por isso, porque jamais ele vai deixar agente cair e se perder, jamais ele vai nos abandonar. Eu te amo, e é só isso.”

Essas foram as coisas mais bonitas que alguém já disse, em minha decrição. Eu também te amo, S., e você já tá me fazendo falta.
xx
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daqui: http://introspeccao.wordpress.com

Amar-te-ei

depois de sair daquele sebo de livros, lembrei que a ultima vez que eu estive lá foi com ele. e depois aconteceu aquela discussão, briga, não sei nem nomear. e desde então, nunca mais nos falamos. eu só lembro que corria, corria e corria. desesperadamente, sem fôlego. havia até esquecido como é que se respirava. o que mais há pra se fazer a não ser correr tentando se esconder de um atormento? tentar fugir não é o melhor a se fazer, porque não resolve nada. mas não deixa de ser uma opção. corri até achar um beco escuro e molhado, graças a chuva.
o cigarro tinha acabado, justo na hora que eu mais precisava de alguma coisa a que segurar. quando voltei a respirar e me dei conta que ainda estava viva – infelizmente – e comecei a chorar. um choro silencioso, daquelas lágrimas que caem sem se quer nos deixar ciente que estão caindo. um choro gritando por uma sensação ainda desconhecida, que vai além da calma e do conforto, que vai além da maior paz de espírito já vista. uma sensação de que nada nunca aconteceu, de ter esquecido de tudo o que já foi vivenciado, visto, lembrado, ouvido, tudo. zerar, recomeçar. mas, como, quando tudo já foi falado e vivido? como sair da própria vida? como recomeçar? por deus, como? até mesmo um suicídio não resolveria, eu estaria presa a minha alma pra toda a eternidade. não sabia nem mais o que pensar.
a chuva engrossando cada vez mais. e meu desespero aumentando. parecia que o céu estava chorando comigo, entendendo a minha dor. eu queria gritar, mas não tinha forças. encostei minhas costas no muro, e fui deslizando pra baixo, até sentar. toda molhada, roupas encharcadas, meus olhos viam só o embassado que a noite estava proporcionando.
a única solução que passou pela minha cabeça foi ele. mas como? se a maior parte do meu desatino estava relacionado a ele mesmo? não tinha nem cabimento chegar lá naquele estado. se bem que sua casa estava a uns quinze quarteirões. deus, o quanto eu corri? eu sempre reclamava da distância, sempre irritada que tinha que passar trinta minutos dentro de um trem de metrô para vê-lo. e só fui me dar conta agora que, sem pensar, corri na direção da sua casa. eu, sempre dependente; você, sempre me julgando pela necessidade física e psicológia que sempre tive de você.
eu nunca soube o que fazer, mas nunca tinha chegado a esse ponto de angústia. comecei a procurar nos bolsos da calça pra ver se achava alguma coisa. nos bolsos da frente, um extrato esquecido e um prendedor de cabelo. no bolso esquerdo trazeiro, uma nota de cinco reais, encharcada. pensei se valia a pena procurar algum lugar pra comprar cigarros, já que eu estava quase tendo um ataque de pânico por não ter nada o que segurar. escurecia ainda mais, a rua um tanto deserta. com algum esforço e com a ajuda da precisão, consegui levantar. as lágrimas cessaram, finalmente, mas a fraqueza tomava conta de mim. o vento frio parecia entrar em mim, mas eu não desisti para sentar denovo e continuar lá porque avistava uma luz, provavelmente um buteco qualquer. atravessei a rua e andei dois quarteirões. uns cinco homens que estavam bebendo e jogando cartas me olharam como se dissessem “quem diabos é essa pessoa e o que diabos ela faz nesse estado aqui?”, mas eu me recusei a prestar atenção.
quando saí de lá, parecia estar mais escuro ainda, quase que no ápice da noite. que horas eram? não tinha idéia. tinha perdido a noção de tempo, de espaço e de lugar. dei um trago, e não sei se soltei a fumaça ou um suspiro. pensava se ia vê-lo, se não ia. se valeria a pena ou não, se ele estaria acompanhado…
comecei a andar sem pensar, olhando as luzes, o sereno que insistia em cair, parecendo querer dizer que estava me acompanhando. os carros passavam rápido, a velocidade do som propagava algumas músicas, algumas pessoas passavam andando quase-que-correndo, algumas com guarda-chuvas, outras sem. alguém conversava no celular, outros esperavam nos pontos de ônibus. tudo típico de uma cidade grande, abandonada por deus, aonde ninguém se importa com ninguém, a não ser você por si mesmo.
quando vi, estava naquela pracinha de bancos azuis, aonde nós passamos tantas tardes lendo livros, conversando e apreciando a vida. o que queria dizer que eu estava perto de sua casa. uns cinco quarteirões. você me conheceu quase que completamente, então sabe que sou impulsiva e ás vezes faço coisas que nem eu sei o porquê. se espantaria se chegasse encharcada em sua casa, numa quinta-feira de feriado, ás seilá quantas da noite? sentei no terceiro banco azul, o perto da árvore mais alta, aonde um dia escrevemos as nossas iniciais lá. será que continuavam ali, depois de tanto tempo? procurei com os olhos, e quando achei, passei os dedos para memorizar aquilo.
quando estava mais calma e um pouco mais seca, resolvi levantar e ir até você. não importava a sua reação, já que eu nem tinha parado pra pensar nisso. só tive o impulso de ir. não importava se você ia me chingar ou não, se ia me chamar pra entrar e me dar uma toalha pra eu me secar. não importava nada, só precisava te ver. e, naquele momento, você era a única coisa que eu precisava ter em mãos.
sabia que se parasse pra pensar se tocaria a campainha ou não, quando estava na frente de sua porta, acabaria desistindo, então a toquei logo. nesse exato momento meu coração disparou completamente, de um jeito que havia tempos que não sentia. uma adrenalina, não sei, não conseguia descrever.
eis você, cabelo bagunçado, de boxer e chinelo de dedo. exatamente como me acordava todos os dias para me fazer levantar e tomar o café que você sempre preparava pra mim. sua feição que mudou. o jeito como você me olhou foi completamente diferente do jeito que você olhava pra mim quando eu insistia pra ficar mais meia hora deitada, e falava que não precisava comer. eu não tive outro impulso a não ser desmoronar. mais uma vez, na sua frente. dessa vez com a ajuda do chuvisco. eu não sabia se você ia falar pra eu ir embora, se ia pedir pra eu entrar, se ia fechar a porta na minha cara, não sabia de nada. não sabia o que esperar. e sua reação foi completamente diferente de tudo o que eu cogitava. quando eu senti o seu abraço me envolvendo e me puxando pra dentro, comecei a desabar mais ainda. só de ver que você não tinha mudado. só de ver que eu ainda podia contar com você, apesar de tudo. eu pensei que o máximo que você podia fazer era me entregar uma toalha, mas não. você voltou com aquele meu-seu pijama, aquela sua camiseta branca que eu tanto gostava de dormir, e com aquela minha calcinha de algodão que eu nem lembrava mais que existia, e que me sentia tão a vontade com ela. sinceramente, não lembrava de tanta coisa que gostava. esqueci de tudo desde aquele episódio que nunca tirei da cabeça.
tomei um banho quente, e quando sai, um pouco envergonhada, você havia pedido um yakissoba e um suco pra mim, já que não havia coisa que eu mais gostasse de comer do que isso. não sabia nem o que dizer, nem o que fazer, nem como olhar pra você, já que não tinha falado uma palavra desde quando cheguei.
e você falou por mim, – você tá bem? come isso, parece que você não come a dias. e eu não consegui fazer nada a nao ser sentar lá e começar a comer. quando estava na metade, e você ainda me olhando como se esperasse eu dizer o porque daquilo tudo. e como sempre quando eu não sabia o que fazer, eu ri involuntariamente.
- por que que quando você aparece fica tudo bem? -, finalmente consegui sussurrar.
- porque eu vou te salvar sempre -, e me deu um beijo na testa.
- tá tudo bem?
- agora sim.
e eu sabia que tava. eu sentia que tava. depois de ser levada ao seu quarto e sentir seu corpo transmitindo calor para o meu e fazendo o meu medo desaparecer, tudo ficou mais sintetizado, tudo mais concreto. tudo mais claro, mais limpo. tudo como devia estar. só de sentir sua boca passando pela minha orelha e sussurrando que ainda me amava, e estava esperando o dia que eu ia bater à sua porta, eu senti a paz de espírito que eu precisava. tudo o que eu precisava – e preciso, aliás – é ficar perto de você e te sentir perto de mim.

Anna Beatrice.
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daqui: http://introspeccao.wordpress.com

5 de mar de 2009

with all these things that i've done


Because it has lived it life intensely
the parched grass still attracts the gaze of passers-by.
The flowers merely flower, and they do this as well as they can.
The white lily, blooming unseen in the valley,
does not need to explain itself to anyone;
it lives merely for beauty.
Men, however, cannot accept that 'merey'.
If tomatoes wanted to be melons,
they would look completely ridiculous.
I am always amazed that so many people are concerned
with wanting to be what they are not;
what's the point of making yourself look ridiculous?
You don't always have to pretend to be strong,
there's no need to prove all the time that everything is going well,
you shouldn't be concerned about what other people are thinking,
cry if you need to, it's good to cry out all your tears
(because only then will you be able to smile again).

Mitsuo Aida (1924 - 1998)

22 de fev de 2009

because i said so

Às vezes conversar com um desconhecido é a melhor coisa que existe pra aumentar a auto-estima, ou pra dizer tudo aquilo que você esconde pra sua melhor amiga.

13 de fev de 2009

carta aberda à quem interessa

A definição de erro se define variadamente de acordo com cada pessoa e situação. Porém, isso nem sempre é a melhor coisa diante a certos fatos. De nada adianta saber que meu erro é justificado sendo que a pessoa mais importante a concordar comigo é justamente a que mais discorda e julga-me por isso. Claro que eu errei, mas eu tenho minhas justificativas. Já você, apesar de não ter feito nada que seja comparado com o que aconteceu, continua errando. Mas com você mesmo. O que você possivelmente anda fazendo, sabendo que é ruim, pelo simples prazer da discórdia, só interfere em você. Só vai fazer diferença pra você, na sua vida. Claro que eu continuo não gostando. Mas quem vai acabar se fudendo é você mesmo, o que eu posso fazer? Apesar de você não querer, ou não admitir que quer - o que eu particularmente acredito, ou pelo menos é nisso em que quero acreditar -, eu não vou poder te ajudar. Por mais que eu queira, por mais que eu deva. Fui eu mesma que prometi que sairia da sua vida pra nunca mais voltar, não foi? E, por mais que me doa fazer isso, é exatamente o que eu vou fazer. Eu só espero que, algum dia, você esteja numa situação igual ou parecida a minha. Daí, apesar do quão tarde será, eu iria gostar muito que você me ligasse, marcasse da gente fazer alguma coisa. Pra você ver que primeiro, acontece com qualquer um, até mesmo você, veja bem; e segundo, quem sabe a gente não se acertaria? Eu acho quase impossível, porque até isso eu teria me desgastado tanto em inúmeras tentativas sem respostas. Eu não sei, você não sabe, ninguém sabe. E até alguma coisa positiva acontecer, é assim que a gente vai ficar. Eu pelos cantos fingindo cansaço e você se culpando e me odiando. É, quem diria que um dia a gente chegaria a esse ponto.

10 de fev de 2009

dez de fevereito de dois mil e nove

Pai, to indo embora. Na verdade, já cheguei. Não sei se o senhor aprovaria isso, ainda mais estando entre a gente. Mas eu vim. Eu precisava. Desde quando você se foi, acho que não houve momento algum em que eu me senti mais vazia do que meus últimos meses antes de vir pra cá. Sabe pai, eu achei que tudo seria mais fácil. Eu achei que, já que eu estou 'na metade do caminho', as coisas só melhoram. Mas não. Claro que não. E, agora, eu acho que tudo só vai piorar mais e mais e mais. Nunca se ganha nada de graça, você mesmo dizia. Agora eu reconheço e conheço o significado de basicamente tudo o que você dizia. E, pai, tá tudo tão melancólico, tudo tão nostálgico. Ao mesmo tempo que eu me sinto feliz, vem uma infelicidade em dobro. Uma vontade de chorar. Um aperto no peito. Embora eu sinta que eu não tenha feito nada de tão errado, tudo sugere que esse foi o meu pior erro. Que tudo o que eu fiz achando que era certo (certo de acordo comigo) foi o mais errado possível. E tem mais. Tudo mudou tão completamente. Tão da água pro vinho. Tão repentinamente, também. Agora eu sei o que significar 'me virar sozinha', e aposte que não é nada como eu gostaria e imaginava que fosse. Mas é bom pra eu crescer como pessoa, pra e não ter vinte anos nas costas e não saber nada de nada. Eu sinto tanto a sua falta, pai. Sinto saudade do que eu não tive. Saudade de sentar e conversar com você. De aprender com você. Com a pessoa mais rica de personalidade, de vida, de espírito. Com aquele que é o que eu mais admiro, acima de tudo e todos. Assim eu acho que eu teria feito muita coisa diferente, e acho que você concordaria comigo nesse ponto. Mas tudo vai melhorar, tudo vai passar. Ou pelo menos eu vou me acostumar com tudo isso. Com essa falta de felicidade repentina, sem querer soar uma melodramática. Mas pai, eu acho que você sabe do que eu to falando. Enfim, não se preocupe comigo, repito que tudo vai ficar bem. Eu espero.
Sinto saudades suas, exatamente como você imagina.
Sempre sua, Anna Beatrice.

25 de jan de 2009

desafie seus limites

Xuxu, vou me mandar
É, eu vou pra Bahia
Talvez volte qualquer dia
O certo é que eu tô vivendo
Tô tentando
Nosso 'amor' foi um engano.