31 de jul de 2009

Retração

Se somente esse sentimento de solidão vigorasse, como me sinto pouco iria importar. Mas o que mais corrói são os motivos da solidão. E toda as vezes que me sinto solitária, todos esses fatos que eu não faço questão nenhuma de mencionar ou sequer lembrar, sentam-se comigo para apreciarem essa penúria que se amontoa aos poucos, chegando a me sufocar. Gostaria de, ao menos, saber como me sinto, ao certo, para tentar reverter a situação, mas meus sentimentos nunca foram muito claros, e essa confusão vai gradativamente tomando conta cada vez mais de cada parte minha ou com relação a mim. O único desejo que tenho, se me permito dizer, é continuar sozinha. Entretanto, num lugar distante, calmo e sem algum procedente de conhecidos. Apenas a solidão, meu martírio, uma boa chícara de cafés, folhas e uma caneta. Nada mais.

No mesmo barco.

Quando eu souber reprimir o ciclo menstrual e os sentimentos, ah, aí sim vou ser completamente ilesa a qualquer tipo de infelicidade.

30 de jul de 2009

Open your eyes

Já não consigo distinguir sonho e realidade. Tenho alguns relapsos aonde, apesar de saber que estou vivendo certo fato, parece que estou nada mais que sonhando - e isso tanto nos momentos bons quanto nos ruins. Agora, por exemplo, me encontro sentada na minha cama, com o computador numa mesinha á minha frente, escrevendo sobre essa dificuldade de separar duas coisas tão distintas e tão parecidas. Mas me sinto como se estivesse sonhando, como se só meu corpo estivesse aqui, e meu pensamento, apesar de manter contato com o corpo, está em uma outra dimensão. Me sinto personagem de minha própria vida, pra ser mais direta. Parece que estou me observando em tudo o que faço. E parece que essa não é minha vida, exatamente porque não consegue ser nada comparada á vida que eu preferiria levar. Eu sei, soa confuso, e não pense você que pra mim também não seja. É difícil explicar como e porquê me sinto desse jeito. Todos os meus erros parecem sempre vir de frente com meu corpo, numa velocidade indescritível, me fazendo sentir como se navalhas estivessem passado por cada centímetro de minha pele. Exatamente esses erros que me fazem sentir assim, acho - ou sei, não sei -, porque se eu não tivesse os cometidos, não estaria aqui levando essa vida-de-ninguém, que é de qualquer um - menos a minha. Nem me sentindo como me sinto, inferior a tudo e a todos, desmerecedora de qualquer carinho, afeto, palavra ou gesto que me façam sentir bem. Não, claro que não, longe de mim gostar de ficar desse jeito. Mas não me sinto confortável se alguém me ajudar, porque eu, apesar de tudo, mereço estar assim, foi culpa minha, certo? Não, não sei, tô me confundindo mais ainda, seilá. Será? Não sei, não sequer entendo - nem tento. Só sei que conto os dias, as horas e os minutos pra esse ano acabar, consequentemente levando minha amargura junto. Queria voltar a viver, propriamente dizendo, e não passar meus dias trancada num quarto na frente de um computador, esquecendo - e não tendo a mínima vontade - de comer, sair, levantar, tomar um banho, tudo. Estou me perdendo cada vez mais nessa confusão, e não sei como será me recuperar após tudo isso. Se é que irei.

Parar e me acalmar.

Eu tô tentando escrever alguma coisa que esvazie minha cabeça, que tire esse peso das minhas costas, e não estou obtendo sucesso algum. Não sei, qualquer coisa, tudo, nada, rabiscos, frases sem-sentido, coisas que ninguém além de mim entenderão, apenas alguma brecha que se abra entre meu pensamento atordoante e meus dedos, para que eu transcreva-o de qualquer forma, apenas para pelo menos me convencer que consegui.
Mas é sempre assim. Sempre quando essa pressão me comanda, sempre quando eu realmente preciso que meus dedos sigam meus pensamentos e joguem-os para a tela de um computador (ou transcreva-os para um pedaço de papel qualquer, qualquer coisa que possa ser lida), eles não fazem a mínima menção de corresponder o meu desejo.
Sempre quando eu não tenho a menor idéia do que fazer, me sinto mais perdida do que nunca - e esse nunca expande os seus limites cada vez mais -, sem saída, sem escapatória, imóvel, a única saída que vejo é escrever. De qualquer forma, mesmo que quando for reler eu não me lembre sobre o que eu estava me referindo. E é exatamente por isso que sai de um jeito que eu não consigo sequer recordar sobre o quê estava falando e sentindo, exatamente porque eu não consigo me expressar.
É irônico saber que o único modo que eu tenho de me expressar e de me acalmar, pode-se dizer, falha quando eu mais preciso.

Fato número um.

Ninguém melhor do que você pra saber sobre os meus defeitos, e ninguém melhor do que eu pra pagá-los por existirem.

28 de jul de 2009

Sala de espera

it's hard to get up when you're spinnin' round and round
i'd give you the news but nothin's changed
i'd sing you a song but they blew it away
all wrapped up in this stupid ass game
(kings of leon, california waiting)

Música de fundo, você folheando algumas revista e fingindo não estar entediada. Mentalmente pensando quanto tempo irá demorar, precisa ser atendida logo, pra fazer as milhares de coisas que havia planejado. Pessoa por pessoa é atendida, e você continua lá. Esperando, esperando. Se distraindo com as coisas mais estúpidas e fingindo não estar ligando, porque sabe que daqui a pouco estará sendo atendida. Ou finge pra você mesma que sabe.
Uma definição básica e completa de como minha vida se encontra.

27 de jul de 2009

se refez, se perdeu, se conquistou

Lembrando que em uma de suas idas pra lá ele estava usando esse mesmo casaco, não sabia se se sentia contente ou abatida. Não sabia se ficava feliz, por lembrar dele vindo á sua direção com aquele sorriso de canto e apressando o passo para poder abraçá-la logo, ou por apenas ter isso como lembrança. Também não sabia que sentimento ter por pensar que, sim, estava vestindo esse mesmo casaco - e desde quando o pegou não o tirava de perto dela, usava-o como uma segunda pele, sentindo que com ele o sentia por perto -, e o cheiro dele parecia persistir em não deixá-lo - em não deixá-la -, mas casaco não tomava o lugar do dono dele. Apesar de sentir-se feliz em recordar todas as lembranças que um simples casaco pego de propósito a trazia, logo vinha aquele vazio que ela tanto ignorava desde quando deixou aquela cidade. Aos prantos. Desesperada pelo vidro da janela do ônibus, ainda mais depois de ver sua silhueta indo até o carro aonde minutos atrás os dois haviam descido para esperar a chegada da ida. Vendo-o andar lento, até o carro. Vendo-o desligar o alarme. Vendo-o dar a partida. E não vendo mais nada, o ônibus já seguindo sua rota, abandonando seu ponto de refúgio. Se sentia tão vazia que esse vazio que sentira dispensa explicações. E quando lembra de tudo isso, sente o mesmo vazio. A mesma dor. Por mais que saia, só sai pra tentar se distrair. Por mais que ri, é um riso falso, sem sentido - e isso é percebido no momento em que olham em seus olhos. Por mais que finja que está tudo bem - pros outros e até pra ela mesma -, sabe que tudo se encontra bem longe de estar bem. Tudo encontra-se frio e escuro. E ela se sente mais perdida do que nunca. Sabe o que fazer, e como fazer, pra contornar a história, mas sabe também que não é nada fácil. Sabe a dor que está se disponibilizando a sentir, e sabe também que ela vale a pena. Por mais que doa, que arda, que ela sinta como se o corpo dela esteje sendo rasgado, corroído, multilado, ela é forte pra suportar. As vezes desaba, claro, ninguém é forte o bastante pra isso - e nem precisa ser. E sabe que um dia tudo isso vai valer a pena. Porque sabe que o que está sentindo é diferente de tudo o que já sentiu. Sabe que não pode ser em vão. Sabe que não é em vão. Sabe também que, por mais que o casaco a lembre de que não está perto de quem precisa, ele é seu refúgio. É nele que ela se esconde quando sabe que não está nada bem. São nas lembranças que ele a traz que ela se encontra dando um sorriso sincero, de quem sente o tipo mais bonito de saudade. Como se fosse um escudo que a protege contra essa rotina que ela leva, contra essa necessidade que ela tem dele por perto, contra tudo. Seu refúgio. E que a leva diretamente a pessoa que ela mais necessita, a causa da imensa felicidade que sente no curto intervalo de tempo que tem do lado dele. A causa dela ainda estar aguentando tudo isso, e a sua única certeza. A certeza de que vai dar certo. Não importa quando, nem onde, nem como, nem porquê. Mas lá no fundo ela sente que vai dar certo. E isso mais do que a deixa capaz - isso faz sentir-se capaz.

26 de jul de 2009

olhos abertos

Sorriu sozinha imaginando os sonhos que poderiam vir a se realizar no próximo ano. Mirabolando idéias para fazerem se tornarem real, pensou no que poderia ser dito e feito para concretizá-los da forma mais precisa. Pensou em como tudo estaria no lugar se eles já tivessem tornado realidade, e em como esse vazio que sente no peito estaria preenchido. E seu coração, ah, seu coração. Como ele estaria saudável e alegre, sem esse aperto, sem parecer estar sendo esmagado a cada suspiro de cansaço, sem essa dor inexplicável que persiste dia após dia, sempre aumentando sua intensidade. De olhos abertos, parecia ver seu pensamento passando diante de seus olhos. Cada mínimo detalhe sendo absolutamente real em sua imaginação. Seu desejo prevalecendo sobre qualquer coisa. A necessidade que tinha (e ainda tem) de fazer seu desejo tornar-se real e poder finalmente viver nele tomava conta da menina, a fazendo ter descargas de endorfina percorrendo todo o seu sistema nervoso. Queria que tudo se concretizasse logo. Queria sair dessa vida repleta de ilusões e sonhos quebrados. Queria, acima de tudo, se encontrar. E sabia aonde se encontraria. Sabia em quem se encontraria.

25 de jul de 2009

eu e as listas

Eu não consigo entender o porquê dessa minha necessidade de fazer listas de tudo. Seja sobre o que eu tenho que comprar, o que eu quero comprar, livros que quero ler, livros que já li. Até pra passar músicas pro mp3 eu tenho que fazer uma lista. Lista do que fazer, do que estudar, de lugares para ir, enfim. Não consigo deixar nada passar sem que eu tenha um papel e uma caneta por perto para eu escrever o que precisa ser feito. Devo ter TOC. Distúrbio obcessivo-compulsivo. Vai entender.

24 de jul de 2009

here we go again

Inferioridade, s.f. Qualidade de inferior, subordinação. in.fe.ri.o.ri.da.de
Inferior,
adj. Subalterno; menos bom; de pouco valor; que está mais baixo que outro; que é subordinado a. in.fe.ri.or

Esse maldito sentimento aumentando cada vez mais dentro de mim.

Sempre as horas

anna diz:
depression
amanda diz:
né gente
w diz:
é

Eu consigo até imaginar.
Eu sentada, acabo de acender um cigarro, o cd do Bob Dylan rodando, lendo textos de Caio Fernando (sempre ele), e escrevendo qualquer coisa na minha agenda. Tô sozinha, e me sinto sozinha. Pensando no que comer, se vale a pena levantar e ir até a cozinha. Se o Fábio vai chegar e reclamar que estou fumando dentro de casa e se eu vou ter que procurar o Bom Ar daqui a pouco. E se eu vou ter que sair comprar mais um maço, porque esse já tá acabando e a angústia e ansiedade estão me desintegrando por dentro.
Amanda sentada também, provavelmente (leia-se: absolutamente) fazendo sets no Polyvore, prova de seu vício/encanto/amor por moda, ouvindo algo como Johnny Cash, ou algum rock dos anos 70 ou que lembre isso. Pensando quantos cigarros ela poderá fumar até seus pais voltarem, e pensando se é válido levantar e ir até a janela (ou sentar no chão da cozinha, como nós fazemos) e acender um cigarro. E, já que a conheço bem, deve estar reclamando mentalmente sobre quando que isso vai acabar e as coisas realmente irão acontecer.
Tamyres também sentada, tentando escrever alguma coisa que expresse o que ela está sentindo (ou sentiu), pra confundir a dor, nem que seja por um momento. E lendo Caio, provavelmente. Caio sempre presente nas nossas vidas. Ouvindo um pop-rock, um rock, ou qualquer coisa dramática ou nostálgica, que a lembrem o que ainda não aconteceu, e que a faça imaginar o futuro como uma peça de quebra-cabeças indefinida, sem saber a concavidade certa de cada aresta, e aonde que vai se encaixar. Não-fumante. Não sei como ela consegue tentar fugir de tudo isso sem um cigarro nas mãos, mas querendo ou não, o pulmão dela terá mais tempo de vida do que o meu e o de Amanda.
As três entediadas numa sexta-feira a noite, se perguntando se o futuro vai ser melhor ou se tudo será apenas mais uns sonhos quebrados e mal-realizados. As três pensando em quando tudo isso irá melhorar, e de que forma irá melhorar. As três mal aguentando a espera de chegar em São Paulo logo, se verem logo, reclamarem logo, rirem logo, sairem logo, sonharem logo, amenizarem essa dor que cada uma sente no peito, cada uma com sua forma diferente, mas que têm uma relação. Sempre as três, sempre fazendo qualquer coisa diferente e sem nenhuma relação visível, mas completamente sintonizadas. Sempre sonhando e esperando dias melhores. Uma espera sem fim até o esperado primeiro-dia-do-resto-de-nossas-vidas.

Because something is happening here
But you don’t know what it is.
(Bob Dylan, Ballad of a Thin Man)
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retirado do tumblr

Reciprocidade não mencionada

Essa dor. Que sufoca, que mata, que corrói, que destrói, que machuca, que arde, que dói, dói, dói, e parece nunca ter fim. Esse sentimento de culpa-sem-culpa, me confundindo mais ainda, me deixando menos ainda sem saber o que fazer. Essa angústia me sufocando, me deixando sem saber até como é que se respira. Eu não sei mais o que fazer, nem como me portar diante de nada. Eu não sei nem o que eu sinto mais. Ou não quero saber. Queria que tudo passasse logo, que esse estágio de dor sumisse definitivamente. Tanto sacrifício, tanto esforço. Recebo o seu amor de volta, mas.. por mais que a gente queira e já tenha comentado sobre isso, ninguém vive de amor. Eu preciso de presença. Eu preciso de segurança. Eu preciso me sentir confortável aonde quer que eu esteja. Eu preciso de você. Mas eu preciso de você com todas as letras, de todas as maneiras, de qualquer jeito, de todos os jeitos. Eu preciso de você. Perto. Junto. Tudo. Eu te amo, e eu tenho medo. Medo de que isso não funcione nunca, e você me entende. Não aceita, mas entende. Lá no fundo, você entende. E sente o mesmo.

Fast Make-Up

Toda mulher que exista e que se preze já teve que sair de casa correndo sem tempo nem de passar um pó no rosto. Esse vídeo foi um achado que eu tive fuçando nuns blogs da vida (aportadarua). Nada melhor do que fazer uma maquiagem simples e que fique bem e natural num intervalo de tempo equivalente a cinco minutos. Enjoy it!

PS: a Victória Ceridono, repórter-modelo do vídeo, tem um rosto que me deu inveja.

Instruções

Rio que corre para o mar
lava minh'alma
sem me arrastar

margem que me mantém no lugar
segure-me
por favor, sem sufocar

lodo que cobre meu interior
acomode-se
de forma que eu não sinta dor.

Sabrina Davanzo

pura utopia. sonhos, vontades, loucuras, música, livros, autores, café, paranóicas, ataques e uma tpm crônica.
nenhuma ímpar de sua espécie, especial ou algo do tipo. uma (a)normal querendo encontrar o seu lugar no mundo e, por mais que não possa parecer, corre atrás do que quer dos jeitos mais imporováveis, mas que acredita que sejam úteis.
felicidade e ansiedade me fazem a melhor e mais animada pessoa pra se ter do lado. trizteza e angústia me calam de um jeito indescritível. os sonhos me compõem da maneira mais bonita, e a realidade me faz imatura (por recusa própria de enxergar o que não quero acreditar), irritante e impaciente.
metade do que preciso colocar pra fora, não sai. vezenquando, indiretamente e de uma maneira confusa - e que só eu entendo -, consigo expressar o que me corrói. mas no auge da minha precisão não sai nada além de um mero suspiro.
composta também por vários tipos de bloqueios – estruturais, emocionais, de interação, de escrita e por aí vai -, que, por deus, me atrapalham mais que muita coisa.

sou completamente diferente de qualquer pessoa, e simultaneamente igual a todas. a vida é um ponto de interrogação, e a maioria das coisas em que acredito não passam de incógnitas. quem sabe na minha mente são desvendadas, mas isso seria mais uma das milhares coisas que eu nunca saberei explicar ou expressar.

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tinha essa descrição lá no wordpress e eu não queria apagá-la e deixá-la sequer memorável. e, sim, tenho mania de salvar e deixar guardado tudo o que escrevo, seja uma citação inteligente ou uma piada.

take my hand, take my whole life too

Não há nada mais gratificante do que o silêncio a dois, quando os dois estão bem juntinhos e nem sentem necessidade de botar no toca-disco um solo da flauta, daqueles suavíssimos. (Carlos Drummond de Andrade, História de amor em cartas)
e dar um abraço, só um abraço, daqueles bem fortes que não pedem palavras, que sozinhos já expressam a tamanha vontade que eu tenho de ter você por perto, que essa distância é o que mais me dói, que muito além de querer, eu preciso de você perto de mim, que toda a vez que eu tenho que ir parece que uma parte do meu coração tá se desfazendo, que eu já cansei de chorar – e sinto uma tremenda vergonha de sequer admitir – implorando por você, pelo seu cheiro, pelo teu cabelo-estilo-beatles o qual você vive implicando – e eu acho uma graça -, pelo teu olho, que me ganha só de me encarar por dois segundos, pela tua boca, pela tua mão, tudo, tudo, cada partezinha de você que me completa de um jeito que eu não sei explicar.
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daqui: http://introspeccao.wordpress.com

as coisas mais bonitas que escrevo sempre saem as mais românticas (e vice-e-versa).
(8 de julho)

sempre a noite. só saem quando não há luz que os ceguem, quando não há barreiras ou limites, quando não há absolutamente nada que possa impedi-los de realmente tomar conta da nossa mente e dominar o resto de sanidade que ainda resta. esse medo parece mais do que nunca acariciar de leve a nuca, sussurando no ouvido aquilo o que até você mesmo se recusa a ouvir, acreditar e admitir. cada angustia parece se tornar mil vezes mais forte, cada insegurança parece contornar todos os lugares visiveis, inclusive até aonde a visão periférica alcança. cada incerteza aterrorizando qualquer esboço de pensamento positivo.
a noite parece que tudo fica mais claro. as fraquezas, principalmente. se bem que, nem dez amanheceres seguidos iriam conseguir amenizar os destroços que esses medos e incertezas e angustias causam.
todo o ardor que esse sofrimento causa não tem cura. nem projeto de cura. nem nada. como curar um sentimento que brota dentro de alguém, sem que ele mesmo saiba como ou porquê? não há como explicar, conscientizar, amenizar, acabar. nada.
só aprender um jeito como esquecer. e esse jeito não é encontrado, necessariamente, dentro de você ou dentro de outra pessoa. existem tantas formas de esquecer. é uma pena que a maioria seja ilegal.
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daqui: http://introspeccao.wordpress.com

O mais bonito que alguém já se atreveu a dizer sobre mim

(4 de julho)

“Então, eu adorei o seu texto sabe.. Achei lindo mesmo, você tem um jeito único e interessante de escrever, escreve muito bem e eu já disse isso pra você inúmeras vezes. Eu também vim aqui, as 22:27 da noite, pra dizer para você que não está sozinha, que jamais estará.. E sabe por quê Anna? Porque eu estou aqui, é.. Eu mesmo, esse seu amigo burro, inseguro, perdido, bobo, chato, gordo, idiota, feio e mais um monte de coisas. Eu Anna, eu estarei aqui. As vezes eu sinto que a sua dor é minha, as vezes e a maioria das vezes eu gostaria de pegar você no colo, te moldar do jeito que eu acho que você deveria ser e fazer uma vida linda pra ti, uma vida cheia de luz, paz, Deus, amor. Anna, nós já somos muito crescidos sabe, nós tivemos que amadurecer cedo, perdemos a nossa inocência cedo, a nossa criançisse, e nos deixamos ser abraçados por todo esse “amadurecimento” que é ser adulto, nós pensamos coisas que não deveriamos pensar, e muitas vezes fazemos coisas que não deveriamos fazer. É assim, a vida não fácil pra você.. E nem pra mim. Somos os diferentes, querendo ou não, por qualquer motivo que seja, somos sim.. Os Diferentes e ponto. E é por isso que eu te amo, e é por isso que eu quero você comigo, e é por isso que o meu carinho por você é enorme, e é por isso que você é tudo isso que é pra mim, e é por isso que você brilha quando sorri.. Dentro do seu corpo, da sua alma, do seu coração, da sua cabeça.. Você tráz tudo, tudo o que já viveu, tudo o que já passou. As vezes eu fico mal, porque eu juro que eu queria te tirar disso tudo, dessa tristeza que você trás, porque essa tristeza não é sua, não é da Anna, você não é isso. A sua vida não é fácil, e poderia ser pior, e você.. Poxa, você é forte demais, sabe todos nós caimos, eu caio, você cai.. Mas sabe o que me chama antenção em você, é que sempre você levanta. Ah Anna, eu me sinto tão perdido, tão confuso, tão cansado sabe.. Eu vou jogar tudo pro alto, eu vou respirar, eu vou viver, eu vou ser eu e eu. E eu quero.. Eu quero que você seja feliz, feliz acima de tudo. Você merece, sabe.. Você merece tudo que sonha, e eu não quero Anna que você se sinta sozina, e eu não quero Anna que você fique rotiada de pessoas ruins, ruins de espiritos, ruins de carater, ruins de atitudes e corações, eu não quero isso pra você.. Eu quero que você esteja sempre com pessoas lindas, pessoas que mante paz no seu coração, que acalme ele quando você precisar, que olho nos seus olhos e diga que tudo vai passar, porque é a pura verdade, tudo vai passar Anna, e ai eu vou me lembrar de você e vou chorar igual estou chorando agora, porque eu acho que faço pouco por você, porque eu queria te ajudar mais, porque você está passando pela minha vida e eu não quero que vá embora, não quero. É tão difícil ter que ir pra mim, meu coração vai ficar por tempos aqui, e eu acho que não vou suportar a dor de perder você, de perder você sabe quem, de perder minha mãe e todos que eu amo.. Mas eu olho pra Anna e vejo que ela tá conseguindo, e vejo que ela é capaz, e vejo que ela tá superando, e vejo que ela tá vencendo.. E eu falo pra mim mesmo, eu tenho que ser forte, eu tenho que conseguir, eu não posso chorar, eu não posso chorar, não posso sofrer. Eu não sei sabe, é tão complicado pra mim tudo isso, e eu juro por Deus que as vezes só quando eu olho pra você, você me entende, e as vezes quando você olha pra mim, eu te entendo. Cara, eu tô chorando loucamente aqui, não consigo parar de chorar e eu só quero dizer Anna que eu te amo demais, e que você é linda por dentro e por fora e que você vai brilhar e que você vai ser feliz, e que você vai ter tudo, tudo de bom, e que você vai ser abençoada, por mim e por Deus. Jamais se esqueça, Deus nos dá aquilo que aguentamos, então se estamos passando por isso é que aguentamos passar por isso, porque jamais ele vai deixar agente cair e se perder, jamais ele vai nos abandonar. Eu te amo, e é só isso.”

Essas foram as coisas mais bonitas que alguém já disse, em minha decrição. Eu também te amo, S., e você já tá me fazendo falta.
xx
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daqui: http://introspeccao.wordpress.com

Amar-te-ei

depois de sair daquele sebo de livros, lembrei que a ultima vez que eu estive lá foi com ele. e depois aconteceu aquela discussão, briga, não sei nem nomear. e desde então, nunca mais nos falamos. eu só lembro que corria, corria e corria. desesperadamente, sem fôlego. havia até esquecido como é que se respirava. o que mais há pra se fazer a não ser correr tentando se esconder de um atormento? tentar fugir não é o melhor a se fazer, porque não resolve nada. mas não deixa de ser uma opção. corri até achar um beco escuro e molhado, graças a chuva.
o cigarro tinha acabado, justo na hora que eu mais precisava de alguma coisa a que segurar. quando voltei a respirar e me dei conta que ainda estava viva – infelizmente – e comecei a chorar. um choro silencioso, daquelas lágrimas que caem sem se quer nos deixar ciente que estão caindo. um choro gritando por uma sensação ainda desconhecida, que vai além da calma e do conforto, que vai além da maior paz de espírito já vista. uma sensação de que nada nunca aconteceu, de ter esquecido de tudo o que já foi vivenciado, visto, lembrado, ouvido, tudo. zerar, recomeçar. mas, como, quando tudo já foi falado e vivido? como sair da própria vida? como recomeçar? por deus, como? até mesmo um suicídio não resolveria, eu estaria presa a minha alma pra toda a eternidade. não sabia nem mais o que pensar.
a chuva engrossando cada vez mais. e meu desespero aumentando. parecia que o céu estava chorando comigo, entendendo a minha dor. eu queria gritar, mas não tinha forças. encostei minhas costas no muro, e fui deslizando pra baixo, até sentar. toda molhada, roupas encharcadas, meus olhos viam só o embassado que a noite estava proporcionando.
a única solução que passou pela minha cabeça foi ele. mas como? se a maior parte do meu desatino estava relacionado a ele mesmo? não tinha nem cabimento chegar lá naquele estado. se bem que sua casa estava a uns quinze quarteirões. deus, o quanto eu corri? eu sempre reclamava da distância, sempre irritada que tinha que passar trinta minutos dentro de um trem de metrô para vê-lo. e só fui me dar conta agora que, sem pensar, corri na direção da sua casa. eu, sempre dependente; você, sempre me julgando pela necessidade física e psicológia que sempre tive de você.
eu nunca soube o que fazer, mas nunca tinha chegado a esse ponto de angústia. comecei a procurar nos bolsos da calça pra ver se achava alguma coisa. nos bolsos da frente, um extrato esquecido e um prendedor de cabelo. no bolso esquerdo trazeiro, uma nota de cinco reais, encharcada. pensei se valia a pena procurar algum lugar pra comprar cigarros, já que eu estava quase tendo um ataque de pânico por não ter nada o que segurar. escurecia ainda mais, a rua um tanto deserta. com algum esforço e com a ajuda da precisão, consegui levantar. as lágrimas cessaram, finalmente, mas a fraqueza tomava conta de mim. o vento frio parecia entrar em mim, mas eu não desisti para sentar denovo e continuar lá porque avistava uma luz, provavelmente um buteco qualquer. atravessei a rua e andei dois quarteirões. uns cinco homens que estavam bebendo e jogando cartas me olharam como se dissessem “quem diabos é essa pessoa e o que diabos ela faz nesse estado aqui?”, mas eu me recusei a prestar atenção.
quando saí de lá, parecia estar mais escuro ainda, quase que no ápice da noite. que horas eram? não tinha idéia. tinha perdido a noção de tempo, de espaço e de lugar. dei um trago, e não sei se soltei a fumaça ou um suspiro. pensava se ia vê-lo, se não ia. se valeria a pena ou não, se ele estaria acompanhado…
comecei a andar sem pensar, olhando as luzes, o sereno que insistia em cair, parecendo querer dizer que estava me acompanhando. os carros passavam rápido, a velocidade do som propagava algumas músicas, algumas pessoas passavam andando quase-que-correndo, algumas com guarda-chuvas, outras sem. alguém conversava no celular, outros esperavam nos pontos de ônibus. tudo típico de uma cidade grande, abandonada por deus, aonde ninguém se importa com ninguém, a não ser você por si mesmo.
quando vi, estava naquela pracinha de bancos azuis, aonde nós passamos tantas tardes lendo livros, conversando e apreciando a vida. o que queria dizer que eu estava perto de sua casa. uns cinco quarteirões. você me conheceu quase que completamente, então sabe que sou impulsiva e ás vezes faço coisas que nem eu sei o porquê. se espantaria se chegasse encharcada em sua casa, numa quinta-feira de feriado, ás seilá quantas da noite? sentei no terceiro banco azul, o perto da árvore mais alta, aonde um dia escrevemos as nossas iniciais lá. será que continuavam ali, depois de tanto tempo? procurei com os olhos, e quando achei, passei os dedos para memorizar aquilo.
quando estava mais calma e um pouco mais seca, resolvi levantar e ir até você. não importava a sua reação, já que eu nem tinha parado pra pensar nisso. só tive o impulso de ir. não importava se você ia me chingar ou não, se ia me chamar pra entrar e me dar uma toalha pra eu me secar. não importava nada, só precisava te ver. e, naquele momento, você era a única coisa que eu precisava ter em mãos.
sabia que se parasse pra pensar se tocaria a campainha ou não, quando estava na frente de sua porta, acabaria desistindo, então a toquei logo. nesse exato momento meu coração disparou completamente, de um jeito que havia tempos que não sentia. uma adrenalina, não sei, não conseguia descrever.
eis você, cabelo bagunçado, de boxer e chinelo de dedo. exatamente como me acordava todos os dias para me fazer levantar e tomar o café que você sempre preparava pra mim. sua feição que mudou. o jeito como você me olhou foi completamente diferente do jeito que você olhava pra mim quando eu insistia pra ficar mais meia hora deitada, e falava que não precisava comer. eu não tive outro impulso a não ser desmoronar. mais uma vez, na sua frente. dessa vez com a ajuda do chuvisco. eu não sabia se você ia falar pra eu ir embora, se ia pedir pra eu entrar, se ia fechar a porta na minha cara, não sabia de nada. não sabia o que esperar. e sua reação foi completamente diferente de tudo o que eu cogitava. quando eu senti o seu abraço me envolvendo e me puxando pra dentro, comecei a desabar mais ainda. só de ver que você não tinha mudado. só de ver que eu ainda podia contar com você, apesar de tudo. eu pensei que o máximo que você podia fazer era me entregar uma toalha, mas não. você voltou com aquele meu-seu pijama, aquela sua camiseta branca que eu tanto gostava de dormir, e com aquela minha calcinha de algodão que eu nem lembrava mais que existia, e que me sentia tão a vontade com ela. sinceramente, não lembrava de tanta coisa que gostava. esqueci de tudo desde aquele episódio que nunca tirei da cabeça.
tomei um banho quente, e quando sai, um pouco envergonhada, você havia pedido um yakissoba e um suco pra mim, já que não havia coisa que eu mais gostasse de comer do que isso. não sabia nem o que dizer, nem o que fazer, nem como olhar pra você, já que não tinha falado uma palavra desde quando cheguei.
e você falou por mim, – você tá bem? come isso, parece que você não come a dias. e eu não consegui fazer nada a nao ser sentar lá e começar a comer. quando estava na metade, e você ainda me olhando como se esperasse eu dizer o porque daquilo tudo. e como sempre quando eu não sabia o que fazer, eu ri involuntariamente.
- por que que quando você aparece fica tudo bem? -, finalmente consegui sussurrar.
- porque eu vou te salvar sempre -, e me deu um beijo na testa.
- tá tudo bem?
- agora sim.
e eu sabia que tava. eu sentia que tava. depois de ser levada ao seu quarto e sentir seu corpo transmitindo calor para o meu e fazendo o meu medo desaparecer, tudo ficou mais sintetizado, tudo mais concreto. tudo mais claro, mais limpo. tudo como devia estar. só de sentir sua boca passando pela minha orelha e sussurrando que ainda me amava, e estava esperando o dia que eu ia bater à sua porta, eu senti a paz de espírito que eu precisava. tudo o que eu precisava – e preciso, aliás – é ficar perto de você e te sentir perto de mim.

Anna Beatrice.
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daqui: http://introspeccao.wordpress.com