24 de jul de 2009

Sempre as horas

anna diz:
depression
amanda diz:
né gente
w diz:
é

Eu consigo até imaginar.
Eu sentada, acabo de acender um cigarro, o cd do Bob Dylan rodando, lendo textos de Caio Fernando (sempre ele), e escrevendo qualquer coisa na minha agenda. Tô sozinha, e me sinto sozinha. Pensando no que comer, se vale a pena levantar e ir até a cozinha. Se o Fábio vai chegar e reclamar que estou fumando dentro de casa e se eu vou ter que procurar o Bom Ar daqui a pouco. E se eu vou ter que sair comprar mais um maço, porque esse já tá acabando e a angústia e ansiedade estão me desintegrando por dentro.
Amanda sentada também, provavelmente (leia-se: absolutamente) fazendo sets no Polyvore, prova de seu vício/encanto/amor por moda, ouvindo algo como Johnny Cash, ou algum rock dos anos 70 ou que lembre isso. Pensando quantos cigarros ela poderá fumar até seus pais voltarem, e pensando se é válido levantar e ir até a janela (ou sentar no chão da cozinha, como nós fazemos) e acender um cigarro. E, já que a conheço bem, deve estar reclamando mentalmente sobre quando que isso vai acabar e as coisas realmente irão acontecer.
Tamyres também sentada, tentando escrever alguma coisa que expresse o que ela está sentindo (ou sentiu), pra confundir a dor, nem que seja por um momento. E lendo Caio, provavelmente. Caio sempre presente nas nossas vidas. Ouvindo um pop-rock, um rock, ou qualquer coisa dramática ou nostálgica, que a lembrem o que ainda não aconteceu, e que a faça imaginar o futuro como uma peça de quebra-cabeças indefinida, sem saber a concavidade certa de cada aresta, e aonde que vai se encaixar. Não-fumante. Não sei como ela consegue tentar fugir de tudo isso sem um cigarro nas mãos, mas querendo ou não, o pulmão dela terá mais tempo de vida do que o meu e o de Amanda.
As três entediadas numa sexta-feira a noite, se perguntando se o futuro vai ser melhor ou se tudo será apenas mais uns sonhos quebrados e mal-realizados. As três pensando em quando tudo isso irá melhorar, e de que forma irá melhorar. As três mal aguentando a espera de chegar em São Paulo logo, se verem logo, reclamarem logo, rirem logo, sairem logo, sonharem logo, amenizarem essa dor que cada uma sente no peito, cada uma com sua forma diferente, mas que têm uma relação. Sempre as três, sempre fazendo qualquer coisa diferente e sem nenhuma relação visível, mas completamente sintonizadas. Sempre sonhando e esperando dias melhores. Uma espera sem fim até o esperado primeiro-dia-do-resto-de-nossas-vidas.

Because something is happening here
But you don’t know what it is.
(Bob Dylan, Ballad of a Thin Man)
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retirado do tumblr

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