3 de out de 2009

Oi, pai.

Oi, pai. Eu sei que faz tempo que eu não escrevo pra você, mas não é por falta de vontade. Tenho andado muito confusa, e a organização de pensamentos falha nessa hora. Você sabe que sempre que lhe escrevo é por um motivo especial, e agora não é diferente.
A cada dia mais se aproxima aquela mudança que você mesmo fazia cara feia quando mencionada - se bem que naquela época, não passava de uma mera vontade, e passava longe de ser considerada uma opção. Pois bem. Desde quando as coisas se tornaram diferentes, se é que me entende - e sei que o faz -, muitas coisas realmente mudaram. Como eu mencionei na última vez que lhe escrevi, eu vim embora. Não foi uma mudança boa. Bom, em certos aspectos sim, mas generalizando, certamente que não. Muita coisa mudou desde quando você se foi, como já disse, e tenha absoluta certeza disso - e de que não foram mudanças melhores, tenha mais certeza ainda.
Voltando ao assunto central do que venho querendo lhe dizer - você sabe o quanto eu mudo a direção do tema quando á tempos não lhe escrevo-, vou ser bem direta agora. Eu vou embora denovo. Mas agora é definitivo. Pouco importará se vai ser ruim ou não. Vou pra ficar, sem escolha de volta. E quanto mais o dia de ir se aproxima, quanto mais eu chego perto do sonho que sempre tive, mais eu fico com medo. Essa mudança que sempre foi querida, estudada, pensada e repensada agora é definitiva. E me sinto encurralada, não sei porque diabos, quando vejo que ela está mais próxima do que nunca. Sabe, pai, eu nunca entendi por que quando as mudanças se aproximam eu tenho vontade de fugir, de renegá-las, de voltar, retroceder. É medo e covardia, eu sei. Mas não entendo como é que uma coisa que sempre esteve em minha mente, agora que é realmente possível e alcancável, me faz ficar confusa e não saber o que fazer.
Somos só nós duas, você sabe disso, e o que é que vamos fazer sozinhas num mundo desse tamanho sem sequer termos um lugar que nos sentimos em casa, como tinhamos antigamente?
Vou parar com os pontos-de-interrogação por aqui, porque seriam necessários muitos cadernos pra que eu pudesse lhe perguntar tudo o que quero e preciso. A sua ajuda me faz muita falta. Você me faz muita falta. Grande parte de toda a confusão que me toma conta é explicada pela sua ausência. Mas isso seria assunto pra outra hora.
Bom, sei que será difícil sua ajuda repentina com relação á esse assunto, mas só de poder expô-lo pra você já me sinto com parte da confusão desenrolada.
Sinto muito sua falta, como já disse e nunca cansarei de dizer, e venho precisando de você e de seus conselhos mais do que nunca.
Espero que consiga me ajudar, independentemente da maneira que for.

Continuo te amando da maneira de sempre, e assim vai ser.
Um grande beijo,
A.B.