28 de nov de 2010

Do fundo do coração, ou Love, Love, Love

(...) Agora, estou amanhecendo. Ah, me digo, então era assim. Essa coisa, o amor. Já conheço? Já conheço. Mas como é mesmo que se chama? Também não estou certo se estarei mesmo amanhecendo. Talvez, sim, anoitecendo, essas luzes penumbrosas são muito parecidas. Não sei muita coisa. Quase nada. Pedi? Levei. Nunca tinha sido tão intenso, nem tão bonito. Nunca tinha tido um jeito assim, tão forever. Não me diga que vai passar, vai passar, vai passar, vai passar. Não me diga que foi ótimo, o que você queria, a eternidade? Não me peça para não te encher o saco lamuriando. Posso não saber nada do coração das gentes, mas tenho a impressão de que, de tudo, o pior é quando entra a segunda parte da letra de "Atrás da porta", ali no quando "dei pra maldizer o nosso lar pra sujar teu nome, te humilhar". Chico Buarque é ótimo pra essas coisas. Billie Holiday é ótima pra essas coisas. E Drummond quando ensina que "o amor, caro colega, esse não consola nunca de nuncarás". Aí você saca que toda música, toda letra, todo poema, todo filme, toda peça, todo papo, todo romance, tudo e todos o tempo todo, antes, agora e depois, falam disso. Que o que você sente é único & indivisível e é extremamente igual à dor coletiva, da Rocinha a Biarritz. O coro de anjos de Antunes Filho levanta no ar, em triunfo, os corpos mortos de Romeu e Julieta enquanto os Beatles pedem um little help from my friends, e a plateia ainda aplaude e pede bis (o Gonzaguinha também é ótimo pra essas coisas). Meus amigos, abandonados para que eu pudesse mergulhar, voltaram a mil. Tem seus prazeres o fim do amor. Se é patologia, invenção cristã-judaico-ocidental-capitalista, ou maya, ego, se é babaquice, piração, se mudou-através-dos-tempos, puro sexo, carência, medo da morte: não interessa. Tenho certeza que estive lá, naquele terreno. Ele existe. (...)

Caio Fernando Abreu

26 de out de 2010

Lembranças futuras

Engraçado como o presente é abastecido por lembranças de um passado bom e sonhos de um futuro incerto.

Anotações sobre um amor urbano

(...) sem entender, sem conseguir chorar, abandonado, apavorado, mastigando maldições, dúbios indícios, sinistros augúrios, e amanhã não desisto: te procuro em outro corpo, juro que um dia te encontro

Não temos culpa. Tentei. Tentamos.

Caio Fernando Abreu

17 de out de 2010

effect and cause

"well you seem to forget just how this all started
I'm reactin to you because you left me broken hearted
see you just can't take the effect and make it the cause"
the white stripes

22 de set de 2010

Trecho de

A Vera Antoun
London, 19/10/73

"Que te dizer? Que te amo, que te esperarei um dia numa rodoviária, num aeroporto, que te acredito, que consegues mexer dentro-dentro de mim? É tão pouco. Não te preocupa. O que acontece é sempre natual - se a gente tiver que se encontrar, aqui ou na China, a gente se encontra. Penso em você principalmente como a minha possibilidade de paz - a única que pintou até agora, "nesta minha vida de retinas fatigadas". E te espero. E te curto todos os dias. E te gosto. E muito."

16 de set de 2010

Trecho de

Os Sobreviventes, Caio F Abreu.

"Quanto a mim, a voz rouca, fico aqui comparecendo a atos públicos, entre uma e outra carreira, pixando muros contra usinas nucleares, em plena ressaca, um dia de monja, um dia de puta, um dia de Joplin, um dia de Tereza de Calcutá."

8 de ago de 2010

Ps:

Saudade não mata mas dói tanto quanto a morte, meu amigo.

29 de jun de 2010

O mito da mulher misteriosa, por Tati Bernardi

E eu, como estava dizendo, sempre quis ser dessas mulheres imperfuráveis, inatingíveis, inaudíveis e incompreensíveis. Mas nunca consegui. Quando vou ver, já contei minha vida pra primeira pessoa que me deu um pouco de atenção. Já to rindo alto no restaurante porque não me controlei e fiquei feliz demais. Já escrevi um texto sobre o fulaninho da terça passada e publiquei numa revista. E o fulaninho ta morrendo de medo porque escrevi que gosto dele. E se alguém perguntar, vou dizer mesmo que goste dele. E se ele não gostar de mim, minha tristeza não será segredo para ninguém. E minha pasta de dente é para deixar os dentes branquinhos. E quando vou ver, lá se foi a mulher misteriosa que eu gostaria tanto de ser. Porque eu jamais poderia ser uma.

11 de jun de 2010

Desconexo

São quatro da manhã e eu ainda acredito no resultado de testes feitos pela internet. Engraçado como a força que ainda está me mantendo acordada mesmo estando quase caindo de sono não atua com a mesma intensidade quando estou desmoronando. Crise existencial-psicológica-física-estrutural-emocional devorando cada pedaço de otimismo que grita para não sumir. "Dia regular, acho que choveu. Gostaria de sentir os pingos da chuva como antes. Gostaria de sentir como antes.". Esse violão eu-vim-da-bahia-mas-um-dia-eu-volto-pra-lá - volto pra onde? Home is where the heart is, mas aonde está o coração? (Ele ainda está?) Vento gelado vindo dos vãos das portas e janelas, mesmo fechadas, trazendo de lá fora tudo o que tento trancar. Confusão confusão confusão confusão confusão quanto mais eu penso mais eu fico confusa isso já aconteceu com você? São quatro da manhã e não tiro o pensamento disso que nem sei se existe, existiu, existirá, aconteceu, sonhei, delirei, cuspi, montei, armei, firmei. E sinto.

9 de jun de 2010

re-amar

Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também. Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar.



Caio Fernando.

25 de mai de 2010

Itinerário, por Caio Fernando

E recomeçar é doloroso. Faz-se necessário investigar novas verdades, adequar novos valores e conceitos. Não cabe reconstruir duas vezes a mesma vida numa só existência. É por isso que me esquivo e deslizo por entre as chamas do pequeno fogo, porque elas queimam - e queimar também destrói.

Pérolas aos porcos

Se eu fosse bom nisso, eu até acenderia um cigarro agora, tomava aquela vodca vagabunda na geladeira e continuaria, passando assim, ignorando o que eu insisto em ver e já que insisto, quero ver mais de perto ainda e machuca a qualquer distância.
Se eu não gostasse tanto de ponto final e que medo de ter me arrpendido eu não pontuei as coisas ou não o fiz da maneira certa e meus verbos estão separados dos meus sujeitos por vírgulas por espaços de tempo.
E eu não consigo ignorar. Não consigo passar ileso e não sei como ou pra quem dizer isso. Porque, como eu disse antes, é atirar pérolas aos porcos. E aos poucos.

Daqui: Cá entre nós...

20 de mai de 2010

Afundados

- Porque eu tinha medo de te perder.
- E agora você não tem mais?
- Faz um tempo que perdi.
- O medo?
- Não, você.

(silêncio)

18 de mai de 2010

We Feel Fine

We Feel Fine é um banco de dados que tem como objetivo extrair de blogs de qualquer parte do mundo o que as pessoas estão sentindo. Seu sistema, quando acionado, capta posts mundiais com frases 'Eu sinto' ou 'Eu estou sentindo' - extraindo também o local, gênero e idade de cada blogueiro -  para estabelecer uma relação e possível identificação com quem lê o que é publicado. Criado por Jonathan Harris e Sep Kamva, essa atividade tem como objetivo mostrar o quanto as pessoas são parecidas emocionalmente, independente do lugar aonde vivem, da condição à que estão sujeitas e demais fatores que diferenciam cada uma delas. Os próprios criadores dizem no about do site: "Nós esperamos que isso faça o mundo parecer um pouco menor, e esperamos que ajude as pessoas a verem beleza nos cotidianos altos e baixos da vida". No portolio do site dá pra ter uma ideia mais vasta da atividade em si.

12 de mai de 2010

Fotografias, de C. Fernando

Não ofereço perigo algum: sou quieta como folha de outono esquecida entre as páginas de um livro, sou definida e clara como o jarro com bacia de ágata no canto do quarto - se tomada com cuidado, verto água limpa sobre as mãos para que possa se refrescar o rosto mas, se tocada por dedos bruscos, num segundo me estilhaço em cacos, me esfarelo em poeira dourada.

9 de mai de 2010

ROCK POSTERS SERIES

 

os sobreviventes (trecho)

que aconteça alguma coisa bem bonita para você, te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acredita em tudo de novo, que nos faça acreditar em todos de novo, que leve para longe da minha boca esse gosto podre de fracasso, de derrota sem nobreza, não tem jeito companheiro, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum,
Caio Fernando.

7 de mai de 2010

Natureza viva, Caio Fernando

Como você sabe, dirás feito um cego tateando, e dizer assim, supondo um conhecimento prévio, faria quem sabe o coração do outro adoçar um pouco até prosseguires, mas sem planejar, embora planejes há tanto tempo, farás coisas como acender o abajur do canto depois de apagar a luz mais forte no alto, criando um clima assim mais íntimo, mais acolhedor, que não haja tensão alguma no ar, mesmo que previamente saibas do inevitável das palmas molhadas de tuas mãos, do excesso de cigarros e qualquer coisa como um leve tremor que, esperas, não transparecerá em tua voz. Mas dirás assim, por exemplo, como você sabe, a gente, as pessoas infelizmente têm, temos, essa coisa, as emoções, mas te deténs, infelizmente? o outro talvez perguntaria por que infelizmente? então dirás rápido, para não te desviares demasiado do que estabeleceste, qualquer coisa como seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente, insistirás, infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos - emoções. Meditarias: as pessoas falam coisas, e por trás do que falam há o que sentem, e por trás do que sentem há o que são e nem sempre se mostra. Há os níveis não formulados, camadas imperceptíveis, fantasias que nem sempre controlamos, expectativas que quase nunca se cumprem e sobretudo, como dizias, emoções. Que nem se mostram. Por tudo isso, infelizmente, repetirás, insistirás completamente desesperado, e teu único apoio será a mão estendida que, passo a passo, raciocinas com penosa lucidez, através de cada palavra estarás quem sabe afastando para sempre. Mas já não sou capaz de me calar, talvez dirás então, descontrolado e um pouco mais dramático, porque meu silêncio já não é uma omissão, mas uma mentira. O outro te olhará com olhos vazios, não entendendo que teu ritmo acompanharia o desenrolar de uma paisagem interna absolutamente não verbalizável, desenhada traço a traço em cada minuto dos vários dias e tantas noites de todos aqueles meses anteriores, recuando até a data maldita ou bendita, ainda não ousaste definir, em que pela primeira vez o círculo magnético da existência de um, por acaso banal ou pura magia, interceptou o círculo do outro.
No silêncio que se faria, pensas, precisarás fazer alguma coisa como colocar um disco ou ensaiar um gesto, mas talvez não faças nada, pois ele continuará te olhando com seus olhos vazios no fundo dos quais procuras, mergulhador submarino, o indício mínimo de algum tesouro escondido para que possas voltar à tona com um sorriso nos lábios e as mãos repletas de pedras preciosas. Mas nesse silêncio que certamente se fará talvez acendas mais um cigarro, e com a seca boca cerrada sem nenhum sorriso, evitarias o mergulho para não correres o risco de encontrar uma fera adormecida. Teu coração baterá com força, sem que ninguém escute, e por um momento talvez imagines que poderias soltar os membros e simplesmente tocá-lo, como se assim conseguisses produzir uma espécie qualquer de encantamento que de repente iluminaria esta sala com aquela luz que tentas em vão descobrir também nele, enquanto dentro de ti ela se faz quase tangível de tão clara. Nítida luz que ele não vê, esse outro sentado a teu lado na sala levemente escurecida, onde os sons externos mal penetram, como se estivessem os dois presos numa bolha de ar, de tempo, de espaço, e novamente encherás o cálice com um pouco mais de vinho para que o líquido descendo por tua garganta trêmula vá ao encontro dessa claridade que tentas, precário, transformar em palavras luminosas para oferecer a ele. Que nada diz, e nada dirás, e sem saber por quê imaginas um extenso corredor escuro onde tateias feito cego, as mãos estendidas para o vazio, pressentindo o nada que tu mesmo prepararias agora, suicida meticuloso, através de silêncios mal tecidos e palavras inábeis, pobre coisa sedente, te feres, exigindo o poço alheio para saciar tua sede indivisível.
Anjos e demônios esvoaçariam coloridos pela sala, mas o caçador de borboletas permanece parado, olhando para a frente, um cigarro aceso na mão direita, um cálice de vinho na mão esquerda. A presença do outro latejaria a teu lado quase sangrando, como se o tivesses apunhalado com tua emoção não dita. Tuas mãos apoiadas em bengalas mentirosas não conseguiriam desvencilhar o gesto para romper essa espessa e invisível camada que te separa dele. Por um momento desejarás então acender a luz, dar uma gargalhada ridícula, acabar de vez com tudo isso, fácil fingir que tudo estaria bem, que nunca houve emoções, que não desejas tocá-lo, que o aceitas assim latejando amigo belo remoto, completamente independente de tua vontade e de todos esses teus informulados sentimentos. No momento seguinte, tão imediato que nascerá, gêmeo tardio, quase ao mesmo tempo que o anterior, desejarás depositar o cálice, apagar o cigarro e estender duas mãos limpas em direção a esse rosto que sequer te olha, absorvido na contemplação de sua própria paisagem interna. Mas indiferente à distância dele, quase violento, de repente queres violar com tua boca ardida de álcool e fumo essa outra boca a teu lado. Desejarás desvendar palmo a palmo esse corpo que há tanto tempo supões, com essa linguagem mesmo de história erótica para moças, até que tua língua tenha rompido todas as barreiras do medo e do nojo, subliterário e impudico continuas, até que tua boca voraz tenha bebido todos os líquidos, tuas narinas sugado todos os cheiros e, alquímico, os tenhas transmutado num só, o teu e o dele, juntos - luz apagada, clichê cinematográfico, peças brancas de roupa cintilando jogadas ao chão.
Desejá-lo assim a esse outro tão íntimo que às vezes julgas desnecessário dizer alguma coisa, porque enganado supões que tu e ele vezenquando sejam um só, te encherá o corpo de uma força nova, como se uma poderosa energia brotasse de algum centro longínquo, há muito adormecido, todas as princesas de todos os contos de fada desfilam por tua cabeça, quem sabe dessa luz oculta, e é então que sentes claramente que ele não é tu e que tu não serás ele, esse ser, o outro, que mágico ou demoníaco, deliberado ou casual te inflama assim alucinando tua alma. Queres pedir a ele que simplesmente sendo, te mantenha nesse atormentado estado brilhante para que possas iluminá-lo também com teu toque, tua língua terna, a rija vara de condão de teu desejo. Mas ele nada sabe, nem saberá se permaneceres assim, temeroso de que uma palavra ou gesto desastrados seriam capazes de rasgar em pedaços essa trama onde te enleias cada vez mais sem remédio, emaranhado em ti e tuas ciladas, em tua viva emoção sintética a ponto de parecer real, emaranhado no desconhecido de dentro dele, o outro - que no lado oposto do sofá cruza as mãos sobre os joelhos, quase inocente, esperando atento e educado que de alguma forma termines o que começaste.
Muito mais que com amor ou qualquer outra forma tortuosa da paixão, será surpreso que o olharás agora, porque ele nada sabe de seu poder sobre ti, e neste exato momento poderias escolher entre torná-lo ciente de que dependes dele para que te ilumines ou escureças assim, intensamente, ou quem sabe orgulhoso negar-lhe o conhecimento desse estranho poder, para que não te estraçalhe entre as unhas agora calmamente postas em sossego, cruzadas nas pontas dos dedos sobre os joelhos.

Ah, fumarás demais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas, noites e noites a fio permanecerás insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, noites afora, faltarás ao trabalho, escreverás cartas que não serão nunca enviadas, consultarás búzios, números, cartas e astros, pensarás em fugas e suicídios em cada minuto de cada novo dia, chorarás desamparado atravessando madrugadas em tua cama vazia, não conseguirás sorrir nem caminhar alheio pelas ruas sem descobrires em algum jeito alheio o jeito exato dele, em algum cheiro estranho o cheiro preciso dele.

Que não suspeitará da tua perdição, mergulhado como agora, a teu lado, na contemplação dessa paisagem interna onde não sabes sequer que lugar ocupas, e nem mesmo se estás nela. Na frente do espelho, nessas manhãs maldormidas, acompanharás com a ponta dos dedos o nascimento de novos fios brancos nas tuas têmporas, o percurso áspero e cada vez mais fundo dos negros vales lavrados sob teus olhos profundamente desencantados. Sabes de tudo sobre esse possível amargo futuro, sabes também que já não poderias voltar atrás, que estás inteiramente subjugado e as tuas palavras, sejam quais forem, não serão jamais sábias o suficiente para determinar que essa porta a ser aberta agora, logo após teres dito tudo, te conduza ao céu ou ao inferno. Mas sabes principalmente, com uma certa misericórdia doce por ti, por todos, que tudo passará um dia, quem sabe tão de repente quanto veio, ou lentamente, não importa. Só não saberás nunca que nesse exato momento tens a beleza insuportável da coisa inteiramente viva. Como um trapezista que só repara na ausência da rede após o salto lançado, acendes o abajur no canto da sala depois de apagar a luz mais forte no alto. E finalmente começas a falar.

*marcações em itálico ou negrito são por minha parte.

via tumblr


3 de mai de 2010

i could stay

you always made it clear that you hated my friends
you made me feel so guilty when I was running round with them
and everything was always about being cool
(i could stay, lily allen)

Uma História Interrompida, de Tati Bernardi*

Interrompida, caiu uma vírgula por aí, minha oração nunca será ouvida. Me perdi no meio dos sentidos.
História escrita a lápis, lápis-borracha para tudo ser mais prático. Escrita de qualquer jeito, torta, em linhas invisíveis. Com um início de perder o fôlego, mas com um eterno três pontinhos num final que nem existe.
Os três pontinhos são o que me matam, ponto final seria a dureza clara e o fim da história, três pontinhos são o que me matam.

Uma história pra adultos, escrita por crianças. Você sem saber viver de tantas vidas por aí, eu sem conseguir viver porque virei sua hospedeira.
Quis sugar sua vida perdida, e me perdi.
Incapaz de me sentir por medo de ser inteira, saio sentindo e sendo os outros. Quis ser você inteiro, morar aí dentro, bombear e mandar nas suas veias.
Mas você é tão livre, tão acima do chão. Tão acima de minha cabeça. Da minha cabeça que está aos seus pés.
Sinto o arrepio frio nas costas da bandeja de vidro que eu trouxe pra você.
Nela estou deitada, entregue. Mas tudo isso pode se quebrar a qualquer momento. A reconstrução eterna dos meus sonhos que já nascem fragmentados para que eu possa engolir tudo aos poucos.
Mas de nada adianta, estou eu aqui de novo, mas mais uma vez tão única e surpresa, engasgada até onde se pode sentir falta de ar.
Engasgada de você ir embora, engasgada de você voltar. Engasgada de você sempre sorrir.

Você não passou pelos meus buracos e eu não consegui te entender no quentinho seguro do meu ventre. Você travou todas as minhas entradas, você me incha por dentro e eu nem sei se vale a pena explodir porque você é surdo e cego.
De que vale eu deixar de existir se você não me percebe?
Sigo inchada, sigo cheia de coisas para cuspir em você, sigo pontuada por esses batimentos cardíacos que descem quando te vejo.
Poesia sem rima porque não somos bregas e a vida sem sentidos e sem encaixe é a loucura que une nossas doenças. Estrofes com métrica, porque sabemos exatamente o que queremos, apenas não rimamos para que não exista cumplicidade.
Uma história começada como a necessidade obscena e idiota de coçar o saco. E terminada pela saciedade obscena e idiota de o saco já ter sido coçado.
Tudo tão simples como expelir algo fisiológico. E eu me sentindo uma merda mesmo.
Ditado de três palavras para você: gostosa, fácil, comer. Narração de sujeito oculto para mim: meus sentimentos escondidos até o fim.
Uma redação com margem, tamanho e estilo impostos para você. Um diário sem limites para mim.
E você continua indo embora, e eu continuo ficando, vendo você levar partes de mim que antes eu nem sentia falta.
E você continua escrevendo sua história pulando linhas, errando palavras, esquecendo os títulos. E eu continuo escrevendo seu nome com letras cheias, para tentar preencher você de alguma maneira. Pra tentar deixar tangível a sua existência. E principalmente pra poder amassar o papel e jogar no lixo.


*marcações em itálico são por minha parte.

12 de abr de 2010

I WANT IT ALL

I believe in love, lust, sex and romance, not in a perfect equation. I want mess and chaos. I want someone to go crazy for me. I want passion and heat and sweat and madness! I want valenties and cupids! I want it all.

O Espelho Tem Duas Faces, 1996.

10 de abr de 2010

O Apanhador no Campo de Centeio, J. D. Salinger

"Pomba, só porque uma pessoa morreu não quer dizer que a gentetem que deixar de gostar dela... Principalmente se era mil vezes melhor do que as pessoas que a gente conhece e que estão vivas e tudo."

"Mas eu sabia que não ia ter coragem de fazer um negócio desses. Sabia disso e fiquei ainda mais deprimido."

"De qualquer maneira, é bobagem, mesmo. Mesmo se a gente vivesse um milhão de anos, não conseguiria apagar nem metade dos 'foda-se' escritos pelo mundo. É impossível."

O Apanhador no Campo de Centeio, J. D. Salinger

Entre outras coisas, você vai descobrir que não é a primeira pessoa a ficar confusa e assustada, e até enojada, pelo comportamento humano. Você não está de maneira nenhuma sozinho nesse terreno, e se sentirá estimulado e entusiasmado quando souber disso. Muitos homens, muitos mesmo, enfrentaram os mesmos problemas morais e espirituais que você está enfrentando agora. Felizmente, alguns deles guardaram um registro de seus problemas. Você aprenderá com eles se quizer. Da mesma forma que, algum dia, se você tiver alguma coisa a oferecer, alguém irá aprender alguma coisa de você. É um belo arranjo recíproco. E não é instrução. É história. É poesia.

9 de abr de 2010

the hurt makes me fell alive

im a good man / in a dark room / in a big town / under a full moon / it's a friday / and i'm almost home (...) / how do you break / a mended heart / i'm bored and / want something to do (...) / i wanna lie / lie to myself / myself and someone else / just to feel something / something that hurts me / the hurt makes me feel alive / i wanna fall / i wanna kneel / i wann lie, cry, say goodbye, /  beg, lie, cheat and steal (john mayer, hurt)

3 de abr de 2010

when you mean goodbye

dear baby / i know / things have been crazy lately / between you and i / but I've been missing you / wanting to hold you today / until the day that i die / and if you gave me a chance / i know i'd be the best thing in romance / since romeo met juliet / and i bet that you bought it / so.. (big japan - left on the bed)

2 de abr de 2010

my dear we're slow dancing in a burning room

i was the one you always dreamed of / you were the one I tried to draw / how dare you say it's nothin to me? / baby, you're the only light I ever saw / i'll make the most of all the sadness / you'll be a bitch because you can / you'll try to hit me just hurt me / so you leave me feeling dirty / because you can't understand (john mayer - slow dancing in a burning room)

(tô com saudade)

30 de mar de 2010

O Contrato

Combinamos que não era amor. Escapou ali um abraço no meio do escuro. Mas aquilo ali foi sono, não sei o que foi aquilo. Foi a inércia do amor que está no ar mas não necessariamente dentro de nós. A gente foi ao cinema, coisa que namorados fazem. Mas amigos fazem também, não? Somos amigos. Escapou ali um beijo na orelha e uma mão que quis esquentar a outra. Mas a gente correu pra fazer piadinha sexual disso, como sempre. E a orelha ouviu uma sacanagem qualquer, e a mão se encaixou ali no meio das minhas pernas. Você me chamou de amor ontem, enquanto a gente transava. Eu quis chorar. Mas também quis rir muito da sua cara. Acabei só esquecendo isso. Talvez o “mô” que você murmurou, seja porque no dia anterior, naquela mesma cama, você tenha comido alguma “Mônica”. Prefiro pensar assim. Se eu for muito, mas muito escrota, talvez eu me proteja de me assustar muito. Caso você seja escroto, eu sendo de pedra não quebro com a sua pedra. Sei lá. Aí teve aquela cena também. De quando eu fui te dar tchau só com a manta branca e o cabelo todo bagunçado. E você olhou do elevador e me perguntou: não to esquecendo nada? E eu quis gritar: tá, tá esquecendo de mim. E você depois perguntou: não tem nada meu aí? E eu quis gritar: tem, tem eu. Eu sempre fui sua. Eu já era sua antes mesmo de saber que você um dia não ia me querer. Mas a gente combinou que não era amor. Você abriu minha água com gás predileta e meu sabonete de manteiga de cacau. E fuçou todas as minhas gavetas enquanto eu tomava banho. E cheirou meu travesseiro pra saber se ainda tinha seu cheiro. Ou pra tentar lembrar meu cheiro e ver se ele ainda te deixa sem vontade de ir embora. Mas ainda assim, não somos íntimos. Nada disso. Só estamos aqui, reunidos nesse momento, porque temos duas coisas muito simples em comum: nada melhor pra fazer e vontade de fazer sexo. Só isso. É o que está no contrato. E eu assino embaixo. Melhor assim. Muito melhor assim. Tô super bem com tudo isso. Nossa, nunca estive melhor. Mas não faz isso. Não me olha assim e diz que vai refazer o contrato. Não faz o mundo inteiro brilhar mais porque você é bobo. Não faz o mundo inteiro ficar pequeno só porque o seu chapéu é muito legal. Não deixa eu assim, deslizando pelas paredes do chuveiro de tanto rir porque seu cabelo fica ridículo molhado. Não faz a piada do vampiro só porque você achou que eu estava em dias estranhos. Não transforma assim o mundo em um lugar mais fácil e melhor de se viver. Não faz eu ser assim tão absurdamente feliz só porque eu tenho certeza absoluta que nenhum segundo ao seu lado é por acaso. Combinamos que não era amor e realmente não é. Mas esse algo que é, é realmente muito libertador. Porque quando você está aqui, ou até mesmo na sua ausência, o resto todo vira uma grande comédia. E aquele cara mais novo, e aquele outro mais velho, e aquele outro que escreve, e aquele outro que faz filme, e aquele outro divertido, e aquele outro da festa, e aquele outro amigo daquele outro. E todos aqueles outros viram formiguinhas de nariz vermelho. E eu tenho vontade de ligar pra todos eles e falar: putz, cara, e você acha mesmo que eu gostei de você? Coitado. Adoro como o mundo fica coitado, fica quase, fica de mentira, quando não é você. Porque esses coitados todos só serviram pra me lembrar o quão sagrado é não querer tomar banho depois. O quão sagrado é ser absurdamente feliz mesmo sabendo a dor que vem depois. O quão sagrado é ver pureza em tudo o que você faz, ainda que você faça tudo sendo um grande safado. O quão sagrado é abrir mão de evoluir só porque andar pra trás é poder cruzar com você de novo. Não é amor não. É mais que isso, é mais que amor. Porque pra te amar mais, eu tenho que te amar menos. Porque pra morrer de amor por você, eu tive que não morrer. Porque pra ter você por perto um pouco, eu tive que não querer mais ter você por perto pra sempre. E eu soquei meu coração até ele diminuir. Só pra você nunca se assustar com o tamanho. E eu tive que me fantasiar de puta, só pra ter você aqui dentro sem medo. Medo de destruir mais uma vez esse amor tão santo, tão virgem. E eu vou continuar me fantasiando de não amor, só pra você poder me vestir e sair por aí com sua casca de não amor. E eu vou rir quando você me contar das suas meninas, e eu vou continuar dizendo “bonito carro, boa balada, boa idéia, bonita cor, bonito sapato”. E eu vou continuar sendo só daqui pra fora. Porque no nosso contrato, tomamos cuidado em escrever com letras maiúsculas: não existe ninguém aqui dentro. Mas quando, de vez em quando, o seu ninguém colocar ali, meio sem querer, a mão no meu joelho, só para me enganar que você é meu dono. Só para enganar o cara da mesa ao lado que você é meu dono. Eu vou deixar. Vai que um dia você acredita.

Tati Bernardi.

passado, presente e futuro

 

símbolo com várias interpretações - aliás, conciliáveis: luz, trevas e tempo; passado, presente e futuro; sabedoria, força e beleza; nascimento, vida e morte; liberdade, igualdade e fraternidade. é também a força do etéreo* quando o vértice está para cima.

*[etéreo] adjetivo masc singular - (sinônimos: sublime, puro, elevado).

ps: minha próxima tatuagem.

27 de mar de 2010

requiem for anna, portishead

a day like any other
where i am all alone
why anna, anna
are you all alone by yourself
are you all alone by yourself
a day like any other
he'd come to meet me
i love you anna, anna
today everything will change
today everything will change

26 de mar de 2010

ou o que for

Com tantos sentimentos arrumados
cuidadosamente na prateleira de cima,
tinha de ser justo amor, meu Deus?
Porque quando fecho os olhos, é você quem eu vejo;
aos lados, em cima, embaixo, por fora e por dentro de mim.
Dilacerando felicidades de mentira,
desconstruindo tudo o que planejei,
Abrindo todas as janelas para um mundo deserto.
É você quem sorri, morde o lábio, fala grosso, conta histórias,
me tira do sério, faz ares de palhaço, pinta segredos,
ilumina o corredor por onde passo todos os dias.
É agora que quero dividir maçãs, achar o fim do arco-íris,
pisar sobre estrelas e acordar serena.
É para já que preciso contar as descobertas, alisar seu peito,
preparar uma massa, sentir seus cílios.
“Claro, o dia de amanhã cuidará do dia de amanhã
e tudo chegará no tempo exato. Mas e o dia de hoje?”
Não quero saber de medo, paciência, tempo que vai chegar.
Não negue, apareça. Seja forte.
Porque é preciso coragem para se arriscar num futuro incerto.

/ daqui

Caio Fernando Abreu

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada ‘impulso vital’. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como ‘estou contente outra vez.

/ daqui

Triz

Quase consigo me animar com essa história, mas me animar ou gostar de alguém me lembra você. E fico triste novamente.
/ daqui

Ciúme não é ex.

Aquele abraço era o lado bom da vida, mas para valorizá-lo eu precisava viver. E que irônico: pra viver eu precisava perdê- lo.

/ daqui

23 de mar de 2010

morangos mofados

Ah, fumarás demais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas, noites e noites a fio permanecerás insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, noites afora, faltarás ao trabalho, escreverás cartas que não serão nunca enviadas, consultarás búzios, números, cartas e astros, pensarás em fugas e suicídios em cada minuto de cada novo dia, chorarás desamparado atravessando madrugadas em tua cama vazia, não conseguirás sorrir nem caminhar alheio pelas ruas sem descobrires em algum jeito alheio o jeito exato dele, em algum cheiro estranho o cheiro preciso dele.

Caio F A

22 de mar de 2010

faz sentido

Later that night, I got to thinking about fathers, or the lack of them.
Some say a daughter’s relationship with her father is the model of all her subsequent relationships with men. Is that just pop psychology or is there some truth to it?
And if you were given a less than perfect model, does that mean a life of less than perfect relationships?
I couldn’t help but wonder: how much does a father-figure figure?

Carrie Bradshaw, Sex and The City.

17 de mar de 2010

Olha, eu quero te dizer quê,

Olha, eu sei que as coisas tão estranhas agora e que nem eu nem você sabemos como nos portar diante disso. Mas sabe, eu acredito que seja melhor assim, entende? Não, claro que não, claro que se fosse uma questão de opção eu queria que fosse como antes, seria mais fácil e menos doloroso, você não concorda? Mas o que eu quero dizer é que se a gente viver distintamente, sem depender tanto um do outro, quem sabe a gente consiga lidar com isso, entende? Sim, eu sei que corremos o risco de sair de sintonia, passar a querer outras coisas, mas na verdade é isso o que devemos fazer. Não sei, você sabe o quanto e como eu te amo e como nem eu mesma sabia que seria possível gostar de alguém assim - já te falei mil vezes. Mas não quero te prender e impedir que você faça e sinta e viva as coisas do seu jeito por medo de me decepcionar, sempre pensando em mim, consegue me entender? Não é fácil e eu nunca disse que seria, mas desde o começo nós sabíamos do final, não? Não, não é o final, não foi isso o que quis dizer, você sabe que não, mas o final daquela fase onde tudo parecia possível. Eu sei que tudo o que a gente já planejou é possível, mas não agora. E com a chegada desse temido momento onde somos obrigados a seguir caminhos completamente distintos, as coisas não podem continuar como eram. Sabe, eu só preciso te dizer, e quem sabe repetir num dia que você estará desacreditando do mundo, que o que eu sinto não mudou e que eu sinto sua falta todo o santo dia, uma falta que sufoca, que aperta, que dilacera, e que eu tento esconder de mim mesma pra não me machucar, muito menos a você. Não, não fique triste, não ache que tudo o que já aconteceu será apagado e de agora em diante serei eu sem você e fim, isso não existe nas minhas capacidades físicas e mentais. Tudo está guardado numa caixinha, tipo essas de madeira, decoradas, que guardamos coisas as quais não queremos jogar fora de maneira alguma, e essa caixa, a de madeira, decorada, está no lugar mais escondido e mais bonito que eu encontrei dentro de mim, que é pra ninguém encostar nela, e ela ser meu refúgio em dias como esse. Só quero que você entenda que nada acabou, não, é só uma pausa, um ceder daqui pra receber mais tarde, entende? Pode demorar, não sei, mas não dá mais pra ficar fazendo planos, tudo sempre acontece ao contrário, já nos foi provado. Então o que eu realmente quero te fazer entender com isso tudo é que você está livre, não pense em mim, faça tudo o que você tiver para fazer aí que eu faço aqui, e sem planejamentos pro futuro, deixe ir fluindo que acontecerá, e quando nos dermos conta que estiver acontecendo, vai ser melhor que qualquer sonho que já tivemos, e tudo o que fizermos nesse intervalo em que estivermos nessa pausa, tempo, não sei, chame como quiser, vai contar para o resultado final, que vai chegar quando estivermos preparados o suficiente pra saber entender o que aconteceu e dispostos pra recomeçar de onde parou, do começo, do fim, não sei, quem é que sabe, e prontos pra fazer tudo de novo, sabendo que, com um ao lado do outro, tudo é aceitável e de imenso valor.

14 de mar de 2010

quando você não tem nada, não tem nada a perder

once upon a time you dressed so fine
you threw the bums a dime in your prime, didn't you?
people'd call, say, "beware doll, you're bound to fall"
you thought they were all kiddin' you
you used to laugh about
everybody that was hangin' out
now you don't talk so loud
now you don't seem so proud
about having to be scrounging for your next meal
(how does it feel
how does it feel
to be without a home
like a complete unknown
like a rolling stone?)
you've gone to the finest school all right, miss lonely
but you know you only used to get juiced in it
and nobody has ever taught you how to live on the street
and now you find out you're gonna have to get used to it
you said you'd never compromise
with the mystery tramp, but now you realize
he's not selling any alibis
as you stare into the vacuum of his eyes
and ask him do you want to make a deal?
(how does it feel
how does it feel
to be on your own
with no direction home
like a complete unknown
like a rolling stone?)
you never turned around to see the frowns on the jugglers and the clowns
when they all did tricks for you
you never understood that it ain't no good
you shouldn't let other people get your kicks for you
you used to ride on the chrome horse with your diplomat
who carried on his shoulder a Siamese cat
ain't it hard when you discover that
he really wasn't where it's at
after he took from you everything he could steal
(how does it feel
how does it feel
to be on your own
with no direction home
like a complete unknown
like a rolling stone?)
princess on the steeple and all the pretty people
they're drinkin', thinkin' that they got it made
exchanging all kinds of precious gifts and things
but you'd better lift your diamond ring, you'd better pawn it babe
you used to be so amused
at napoleon in rags and the language that he used
go to him now, he calls you, you can't refuse
when you got nothing, you got nothing to lose
you're invisible now, you got no secrets to conceal
(how does it feel
how does it feel
to be on your own
with no direction home
like a complete unknown
like a rolling stone?)

10 de mar de 2010

O Galinheiro na geladeira

É assim: vezenquando, uma coisa só começa mesmo a existir quando você também começa a prestar atenção na existência dela. Quando a gente começa a gostar duma pessoa, é bem assim.

8 de mar de 2010

Caio F A

Fiquei feliz em poder sentir tua falta, - a falta mostra o quão necessitamos de algo/alguém. É assim o nosso ciclo. Eu te preciso. Perto, longe, tanto faz. Preciso saber que tu está bem, se respira, se comeu ou tomou banho - com o calor que está fazendo neste verão, tome pelo menos uns três ao dia, e pense em mim, estou com calor também. Me faz bem pensar nessas atividades corriqueiras, que supostamente você está fazendo. Ah, e eu estou te esperando, com meu vestido curto, óculos escuros grandes e meu coração pulsando forte, e te abraçar até sentir o mundo girar apenas para nós. É, eu gosto muito de ti.

2 de mar de 2010

Segundo Fragmento

Meu penar parece despedaçar cada vez mais o pouco de decência que em mim existe - se é que. Nesse ponto, sonho e realidade, surreal e palpável, desatino e rotina parecem a mesma coisa. Nem com a presença duma única saída conseguiria fazer esse sangue parar de jorrar de cada poro que em mim existe.

Primeiro Fragmento

A necessidade do desconhecido para amenizar o sentimento de solidão. Sentimento? Não sei ao certo. Parece-me mais um agouro que toma minh'alma a ponto de me fazer querer ver o que nem mesmo conheço. Nem nos meus mais sujos desejos.