27 de set de 2011

C Lispector

de Água Viva
Estou cheia de acácias balançando amarelas, e eu que mal e mal comecei a minha jornada, começo-a com um senso de tragédia, adivinhando para que oceano perdido vão os meus passos de vida. E doidamente me apodero dos desvãos de mim, meus desvarios me sufocam de tanta beleza. Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca.

15 de set de 2011

Auto-engano

contradições intermináveis
ser, não ser e nem querer
tudo-ao-mesmo-tempo.
tentar encontrar respostas
é fazer mais perguntas -
e ajuda?
designar as coisas
não muda seu modo de funcionamento.
fazer um chá
cafuné próprio
qualquer forma de consolo
pr'outra noite indagar:
até que ponto considerar
certas coisas fracas
é ser forte?

14 de set de 2011

kiss me


from the bottom of my heart
he was looking all over me
together everafter
he said
"you take me & I'll be you"
"you kill him & I'll kill her"
kiss me
I swear it wasn't meant to be
I swear I didn't mean it
kiss me
kiss me in the shadow of
kiss me in the shadow of a doubt

13 de set de 2011

desumanização

Setembro

Queria mesmo é que esse refluxo gastroesofágico fosse de produtividade, não de comida mal digerida. Pouco-tempo-tanta-coisa e por aí vai, 'cê sabe, sabemos. Esses quatro meses finais do ano sempre valem por um  inteiro mal dormido. O tempo não pára, já ouvimos na rádio, e a confusão também nunca parou de aumentar. Tentar acompanhar o que acontece lá fora só faz aumentar o desconexo daqui de dentro. Desespero, sabe? Sei que parece ser meio tarde por indagações meu-Deus-em-que-mundo-vivemos-o-que-diabos-está-acontecendo, mas ainda assim é apavorante. Cafona, batido, que seja - apavora. Queria mesmo é um ataque de existencialismo, esquizofrenia de ideias, surto de luz. Começar a entender em-qual-encaixe-me-encaixo, se é que o faço. Entender o que acontece aqui dentro pra ousar colocar a cabeça pra fora da porta. Se tudo estivesse desmoronando a gravidade seria a resposta, mas nem isso. Mistura, tira, bota, põe - vai dar certo? Aprender a viver está a cada dia mais difícil.

3 de set de 2011

vou levar a mala cheia de ilusão


vou deixar alguma coisa velha esparramada toda pelo chão
vou correr num automóvel enorme, forte, a sorte, a morte a esperar
vultos altos e baixos que me assustavam só em olhar
(pra onde eu vou, ah, pra onde eu vou, venha também)


twin peaks 2x26