10 de abr de 2013

cinza da noite

até quando: a fase, o caos, o desconforto, o desconexo, o quase, o nunca, a possibilidade, a enfermidade - a dor. quanto mais o tempo passa, mais o perco - e o sigo. na teimosia de tentar me encontrar, descubro ainda mais dúvida. nada-é-tão-ruim-que-não-possa-piorar: pode, pode muito, acaba sendo assim, querendo, desquerendo, tentando mudar ou não, revertendo a trajetória para ser diferente: é. eterno paradoxo entre solitude e solidão, confusa em saber aonde acaba o querer e aonde entra o ser. como é que se parece estar vivo?

13 de fev de 2013

2003



"O ser humano, hem! O ser humano é estômago e sexo. E tem diante de si uma condenação. Terá obrigatoriamente de ser livre. Mas ele mata e se mata com medo de viver".

14 de jan de 2013

Âncora

Com a razão em seu limite
procurava preencher o vazio com novas línguas
novos gostos
novos cheiros
que confusos em sua mistura
desviavam a atenção do incômodo maior
que era justamente
ser.

12 de jan de 2013



Roy Lichtenstein 

as blind as i can see

(a mente é uma grande enganadora
de uma natureza sutil e devastante)

saindo do médico com os olhos dilatados
e com a visão de uma senhora de 60 anos
posso jurar que te vi passando
várias vezes
por mim

a diferença é que ver é racional
e enxergar é (querer) ver mais do que os olhos podem.

9 de jan de 2013

C'est la fucking vie

Sorri e aceita
a verdade dos grandes clichês
de que a única constante
é a mutação
para depois de tanto esperneio
ao se ver no espelho
entender que todo o exagero
se concentra num riso de canto
de aceitação.