18 de dez de 2015

o que eu queria dizer é que

se alguém me perguntasse o que eu vejo de errado no mundo eu diria que na verdade não acho de fato errado mas que isso é uma coisa que me incomoda muito e cansa mais ainda isso de as pessoas não questionarem nada nada nada só fazem aceitam continuam com a mesma feição de cansaço a fazer exatamente as mesmas coisas que todos fazem porque os anteriores todos de alguma maneira os fizeram nos fizeram acreditar que é assim que é. isso de trabalhar com o que se gosta é uma coisa nova e falha até porque o real significado de trabalhar é o acúmulo de qualquer coisa o que você chame de riqueza e que acha que te faz feliz, mas eu acho que se as pessoas apenas fizessem o que lhes dá prazer vontade amor amor amor saúde vital seria melhor, fácil, calmo, sereno, acumular desafios internos de ultrapassagem de barreiras próprias ao invés dessa vida executiva de merda presa em todos os lugares.
por que você faz o que faz? por que você gosta do que gosta? por que você compra o que compra? comprar te faz feliz? tua felicidade se resume a um objeto? mas quem precisa de objetos?
esses dias me perguntaram o que eu precisava: eu não preciso de nada. preciso de comida e de alguns livros. de resto, não preciso de nada. não precisamos. roupa, sapato, bolsa, não se precisa de nada disso. então todo o dinheiro que ganhamos serve pra darmos dinheiro pra quem já tem muito dinheiro só porque fomos convencidos que precisamos ter ter ter pra encontrar a felicidade.

mas ainda assim é extremamente difícil pensar nisso: lidar com isso: refletir isso: digerir isso:
como que de uma hora pra outra de repente consigo eliminar o fato absorvido pelo meu inconsciente de que comprar e ter e acumular me deixa feliz?

14 de dez de 2015

fui comprar pão e lembrei que

a pequena morte que é o sono
configura teoricamente na novidade que cada despertar carrega.
página em branco a ser preenchida - ou absolutamente não.
o problema, empecilho, pedra no caminho & na mente
é justamente a memória. 
de quem se foi, quis, teve, sentiu. 
do que se foi, quis, teve, sentiu. 
e lembrar ontem implica em perder hoje.
a sinceridade, exatidão, vontade.
tudo pela metade pela experiência que grita
a cada abrir de olhos:

será?

19 de nov de 2015

hoje

acho que foi no dia em que acordei sem sentir. da ausência, a razão: todo o questionamento que já tive de mundo me veio do limbo emocional-estrutural em que acordei imersa. a saber: tempos líquidos amor líquido sociedade líquida em que não se têm a decência de questionar a liquidez de nada. infelicidade: mas o mundo não é do tamanho que seu limite impõe. mundo mundo vasto mundo, ele já não disse isso há muito tempo? 
os grande escritores e pintores e desenhistas e escultores e pensadores já passaram por isso. mas não passamos mais. co mo di da de. assim, pausada. do mesmo jeito lento que se levanta para enfrentar toda uma rotina inquestionável de felicidade provisória e pontual. 
cansaço. ainda, permaneço: estática.

é o horror ou a covardia que paralisa?